A expressão fariseu tornou-se um conceito que nada de bom encerra em si, mas sim significa uma associação de vaidade espiritual, hipocrisia, astúcia e às vezes também perfídia.
Indivíduos que merecem essa denominação vós os encontrais hoje por toda a parte, em todos os países e em todos os círculos.
Isso nada tem a ver com as raças ou nações, e há deles hoje muito mais do que antigamente.
Toda a profissão demonstra possuir os seus fariseus. A maioria, porém, pode ser encontrada lá, onde também já em todos os tempos podiam ser encontrados em grande número: entre os servos e os representantes dos templos e das igrejas.
E esquisito: onde quer que algum mensageiro da Luz teve de anunciar a Verdade, segundo a lei de Deus, sempre foi atacado, conspurcado, caluniado e perseguido em primeiro lugar pelos representantes e servidores dos cultos religiosos vigentes, que alegavam servir a Deus, bem como pelos seres humanos, que até se atreviam a ser representantes da Vontade Divina.
Isso sempre foi assim, desde o mais simples curandeiro e feiticeiro, até os mais altos sacerdotes. Todos, sem exceção, sempre se sentiram ameaçados pela Verdade, e agitavam por isso às escondidas ou instigavam abertamente contra cada ser humano que fora designado, agraciado ou enviado por Deus, a fim de trazer Luz a esses seres humanos terrenos.
Contra esse facto irrefutável não adianta qualquer negação, qualquer deturpação, qualquer atenuação, pois a história do mundo é testemunha disso. De maneira clara, inequívoca e inapagável, ela testemunha que isso nunca foi diferente e que em nenhum dos muitos casos houve uma exceção.
Sempre, mas sempre, foram justamente os sacerdotes os mais ferrenhos adversários da Luz e por conseguinte inimigos de Deus, cuja Vontade não quiseram respeitar, pelo contrário, sempre combateram, opondo-lhe seu próprio querer.
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A vivência de um espírito humano tem de ocorrer de milhares de maneiras, se ele quer realmente amadurecer para um reconhecimento mais elevado! E um tal indolente espiritual, que se julga um espírito humano terreno superior, guarda firmemente em si, como que num relicário, uma única vivência e procura não largá-la, porque pensa que com isso já aconteceu tudo e que ele já fez bastante em prol de sua vida.
Os tolos, que assim agem, chegarão agora ao despertar, pois têm de verificar que dessa maneira dormiram.
Está certo, sim, se um ser humano alguma vez tem uma vivência, mas isso ainda não é o suficiente. Não deve parar, tem de continuar a andar constantemente, tem de permanecer ativo no espírito. Nesse caminho, então, logo teria constatado que sua vivência fora apenas uma transição, a fim de despertar para o reconhecimento verdadeiro.
Assim, porém, floresce nele a presunção espiritual, julgando-se superior aos outros que não seguem seu caminho e pertencem a outras crenças.
O ser humano tem de continuar, continuar em seu caminho através da Criação, e continuar sempre também no reconhecimento de tudo quanto encontra na Criação. Nunca deve sentir-se a salvo e vangloriar-se de uma vivência que lhe atingiu alguma vez. Continuar, continuar sempre para a frente, com toda a força.
Parar é ficar para trás. E aqueles que ficam para trás correm perigo. Na ascensão, porém, os perigos estão sempre atrás de cada espírito humano, nunca na frente; disso deve estar ciente.
Por conseguinte, deixai de lado aqueles seres humanos que, tão convencidos, procuram falar de si próprios.
Prestai atenção em sua atuação, em seu modo de ser, e logo reconhecereis com quem estais lidando. São muitos, muitos os que pertencem a esse círculo. São frutos ocos que têm de ser jogados fora, pois não assimilam mais nada, porque em sua presunção julgam já possuir tudo.
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Abdruschin
Excerto da dissertação, Evitai os fariseus, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.