quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Vela e ora!

“Então a serpente disse à mulher: certamente, não morrereis.
Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.”


Génesis, 3


Quantas vezes este ditame do Filho de Deus é transmitido como um bem-intencionado conselho e advertência, sem que todavia nem quem o profere nem quem o escuta se dêem ao trabalho de reflectir sobre o que estas palavras realmente devem dizer.
O que se compreende por orar cada criatura humana sabe ou, falando mais acertadamente, crê saber, conquanto na realidade o ignore. Também supõe compreender exactamente o velar, no entanto, longe está disso.

“Velai e orai” é a transmissão figurada do aviso para a vivacidade da faculdade do sentimento intuitivo, isto é, para a actividade do espírito! Espírito no legitimo sentido, e não compreendido como actividade do cérebro; pois, que a maneira de expressar-se do espírito vivo do ser humano é apenas e unicamente o sentimento intuitivo. Em nada mais exerce sua actividade o espírito do homem, isto é, seu núcleo de origem que se formou no “Eu” propriamente dito durante sua peregrinação através do após-criação.

“Vela e ora” nada mais quer dizer senão a exigência para o refinamento e o fortalecimento da faculdade do sentimento intuitivo do ser humano terreno significando outrossim a vivificação do espírito, que é o único valor eterno do homem, único que consegue regressar ao paraíso, donde veio. Terá que regressar para lá, quer seja amadurecido e auto consciente, quer tornado novamente inconsciente; como um Eu vivo, de acordo com a Vontade da Luz tornado útil na criação ou como um Eu dilacerado e morto, se tiver se tornado inútil na criação.
O aviso do Filho de Deus, “vela e ora”, é portanto um dos mais severos que legou aos homens terrenos. Ao mesmo tempo uma advertência ameaçadora para que se torne útil na criação, afim de que não resulte na condenação pela actuação automática das leis Divinas na criação.

Contemplai a mulher! Ela possui como mais alto bem da feminilidade uma delicadeza no sentimento intuitivo que nenhuma outra criatura poderá alcançar. Portanto devia-se poder falar apenas de feminilidade nobre nessa criação, porque feminilidade traz em si as mais fortes dádivas para a realização de tudo quanto é bom.
Assim, pois, pesa sobre a mulher também a maior das responsabilidades. Por esse motivo Lúcifer, com todo o seu séquito, fixou na mulher seu principal objectivo a fim de subjugar desse modo a criação inteira a seu domínio.
E, infelizmente, Lúcifer encontrou na mulher do após-criação terreno demasiadamente fácil. Com os olhos abertos correu ela ao seu encontro e envenenou, devido à sua espécie, todo o após-criação pela transformação de conceitos puros em reflexos desfigurados que acabariam por acarretar confusão a todos os seres humanos. (…)

A palavra do Filho de Deus: “Velai e orai” será corporificada em cada mulher do futuro, como já devia estar corporificada em cada mulher do presente: pois no vibrar da faculdade do feminino sentimento intuitivo encontra-se, sempre que se esforce para a pureza e a Luz, o velar permanente e o orar mais belo, o que é do agrado de Deus! (…)
Mas assim como a mulher foi capaz de degradar profundamente todo o após-criação, tem ela também a força de soergue-lo novamente e favorece-lo, visto que nisso o homem a seguirá
Em breve há-de vir o tempo, após a purificação, em que se poderá exclamar, jubilosamente: contemplai a mulher como deve ser, a legitima mulher em toda a sua grandeza, em sua nobilíssima pureza e poder e, nela experimentareis a palavra de Cristo: “Velai e orai” em toda a naturalidade e na mais bela forma!

Abdruschin

Excerto do Capítulo Vela e ora, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume II, de Abdruschin.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Formas de pensamentos

“Eu pecador me confesso… por pensamentos, palavras e obras!”
Oração à Santíssima Trindade (Credo Católico)


Sentai-vos em qualquer casa de lanches ou bar e observai ali as mesas ocupadas ao vosso redor. Ouvi o que falam. Escutai o que as pessoas se têm a dizer. Frequentai famílias, observai o vosso ambiente mais próximo nas horas de lazer, quando o trabalho não mais assoberba.
Com espanto verificareis a vacuidade de tudo sobre o que as pessoas conversam, quando não podem falar a respeito de suas ocupações em geral. (…)
As poucas excepções que então encontrareis, cujas palavras em horas de lazer da vida quotidiana se acham repassadas de anseio pelo aperfeiçoamento da alma, vos parecerão até estranhos solitários em meio a turbulência de um parque de diversões.
Exactamente nessas assim chamadas horas de lazer é que conseguireis reconhecer com maior facilidade o intimo verdadeiro do homem, depois que o apoio externo e o campo específico de seus conhecimentos cessam com o afastamento de suas actividades profissionais costumeiras. O que então restar é o autêntico indivíduo. Olhai para ele, escutai suas palavras com neutralidade. Em breve tereis que interromper as observações por tornarem-se-vos insuportáveis.
Profunda tristeza vos assoberbará quando reconhecerdes quantos homens pouco se diferenciam dos animais. Não tão broncos, com maior intelecto, em linhas gerais, porém, idênticos. Como que providos com antolhos, atravessam unilateralmente a existência terrena vendo sempre apenas o mero terrenal diante de si. Interessam-se pela comida, pela bebida, tratam de acumular cópia maior ou menor de valores terrenos, esforçam-se por obter prazeres corporais e consideram quaisquer reflexões sobre coisas que não podem ver como desperdício de tempo que, na opinião deles, poderia ser empregado muito melhor em “recreio”. (…)


Tolos são os que passam por tudo isso! Covardes, aos quais as maravilhosas alegrias de um progredir corajoso permanecerão sempre denegadas.
Rejubilai, pois, visto como à vossa volta tudo vive espraiando-se a paragens aparentemente imensuráveis! Nada está morto, nada vazio como aparenta. Tudo actua e tece na lei da Reciprocidade em cujo centro, como seres humanos, vos encontrais, pontos de partida e metas finais, para formar de novo os fios e dirigi-los.
São poderosos senhores, os quais, cada um, singularmente, forma seu reino para que o eleve ou o soterre. Despertai! Utilizai o poder que vos foi outorgado com pleno conhecimento do processo gigantesco, para que vós não produzais por estupidez, teimosia ou mesmo por preguiça, apenas monstros nocivos que sobrepujam o sadio e bom, acabando por levar o próprio originador a cambalear e tombar.


Já o ambiente de matéria fina mais próximo dos seres humanos consegue contribuir bastante para elevá-los ou derrubá-los. Trata-se do singular mundo das formas dos pensamentos cuja vivacidade constitui apenas uma pequena parte da gigantesca engrenagem de toda a criação. Mas seus fios vão até o que é de matéria grosseira como também ascendem ao que é de matéria fina e, igualmente, descem ao reino das trevas.

Tal qual uma gigantesca rede de veias ou nervos, tudo se acha entretecido e entrelaçado de maneira indestrutível, inseparável! Prestai atenção a isso.
Favorecidos podem ver aqui ou acolá uma parte disso, de muita coisa, porém, apenas conseguem pressentir. (…)

Infelizmente na hora actual somente o ódio, a inveja, ciúme, sensualismo, avareza e todos os outros males, devido ao número maior de adeptos, constituem as centrais de força mais poderosas no mundo das formas de pensamentos. Menos a pureza e o amor. Por essa razão o mal se alastra de forma assustadora. Ocorre ainda que essas centrais de forças das formas de pensamentos por sua vez recebem ligações com as esferas de igual espécie das trevas. De lá são especialmente incitados para uma actuação cada vez maior, de maneira que, passando para diante, conseguem provocar verdadeiras devastações entre a humanidade.
Abençoada seja, portanto, a hora em que os pensamentos do amor puro adquirirem novamente um lugar de predomínio entre a humanidade para que assim se formem fortes centrais de igual espécie no mundo das formas de pensamentos podendo receber reforços das esferas mais luminosas e com isso não apenas propiciar fortalecimento aos que almejam o bem, mas também actuar vagarosamente, de modo purificador. Sobre os ânimos mais escurecidos. (…)

Em meio a toda essa engrenagem se acha, porém, o ser humano! Aparelhado com todos os meios para determinar a espécie da trama que deve resultar da sua actuação na criação, manobrando o conjunto das engrenagens em diversas direcções.


Tornai-vos, por conseguinte, cônscios dessa responsabilidade imensurável; pois, tudo se passa apenas na própria esfera do vosso ambiente terrenal. Nada ultrapassa conforme a disposição sábia do Criador, mas retorna apenas a vós próprios. Conseguis com o vosso desejar, pensar e querer envenenar o aquém e o além da Terra ou também purificando, elevá-los ao encontro da Luz. Tornai-vos, pois, condutores do destino que conduz às alturas pela pureza de vossos pensamentos!

Abdruschin

Excerto do Capítulo Formas de Pensamentos, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume II, de Abdruschin.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Sê livre!

“Livre só é o homem que vive nas Leis de Deus!”

Abdruschin


No último século, muito evoluiu a Humanidade no desenvolvimento tecnológico, na ciência, na medicina, nas artes, no bem-estar… é um resultado significativo do empenho e perseverança do homem na procura do melhoramento do seu modo de viver e enquadramento na natureza.
O século XX trouxe à Humanidade uma estrondosa e rápida evolução em todas as áreas, desde as artes até à medicina. Podemos afirmar, sem redundância, que a nossa capacidade intelectual atingiu o pico mais alto da escala na História da Humanidade… conhecida.
As artes e o conhecimento são bem o resultado do intelecto. Muito promissoramente nos apelidamos de intelectuais. Magnifico! O homem moderno, tecnológico, senhor das comunicações e da mobilidade, do conhecimento, senhor do Planeta e candidato ao Espaço.
Os meios urbanos crescem, a economia cresce, a produção cresce, a nossa longevidade cresce… o cosmos está à nossa frente…!
Comparando o nível e a qualidade de vida, dos últimos dois milénios, até ao tempo actual, que abismo foi ultrapassado; o homem, esse enigma, uma marca de sucesso!


No entanto, apesar desta evolução e marca de sucesso, nem tudo vai bem no reino da Dinamarca!

Este século também trouxe muito sofrimento, duas guerras mundiais ficaram na memória da História, com as legiões de horrores que carrega, as muitas guerras e atentados à vida humana por motivos políticos e religiosos, que se transportaram para o século presente, bem como a incerteza e a dúvida quanto ao futuro próximo. A fome não foi erradicada, nem a miséria, desconforto para os que tudo têm; o fosso de desenvolvimento económico entre os povos, fruto da ganância dos mais ricos e da corrupção dos desvalidos, leva a sistemas económicos globais, em que os grandes grupos dominam, espalhando os tentáculos por entre os povos, permissivamente. As assimetrias entre os povos ditos desenvolvidos e civilizados e os subdesenvolvidos, pobres e iletrados, são gritantes. O desequilíbrio é pujante. Os atentados ao meio ambiente e à dignidade humana são de tal modo graves, que só não vê quem não quer e só não toma consciência quem olha para o lado. A esperança média de vida aumentou, à custa de fármacos que sustentam todas as maleitas que nos atormentam; tornámo-nos seres artificiais? Para lá é o caminho, clonagem… E tudo isto é fruto da participação do ser humano, rico ou pobre, culto ou inculto, religioso ou não, politico ou não!

* Lei do equilíbrio: Tem que haver uma harmonia, equilíbrio entre o desenvolvimento espiritual e material.

No passado o homem olhava para o céu à procura da ligação com o seu Criador, hoje, o homem olha para o céu à procura de novos lugares para habitar. O maravilhoso planeta azul está a ficar esgotado, e ele, o homo sapiens, tem consciência que ao ritmo de consumo das matérias-primas, em determinado período de tempo, o seu modo de vida vai ficar afectado ou terminar. A sua religiosidade está enfraquecida, motivada por um cultivo exagerado do materialismo que não permite a ligação ao espiritual. E ele reza! O homem vive acorrentado ao espaço e ao tempo, à matéria, e para esta chegará a hora como em todos os processos naturais, a decomposição pela maturidade e a regeneração para um novo actuar, qual Fénix renascida. E ele baixa o olhar em atitude beata! Não queira o homem estar presente na matéria quando este tempo chegar!
Encontrem o caminho para o espiritual e aprendam o equilíbrio com a matéria. Sejam livres!

Procurem o Criador na Sua obra, nas Suas Leis, essas Leis que regem os Universos e sobre as quais estamos sujeitos, porque dela fazemos parte. * “Quem possui em si decisiva vontade para o bem e se esforça por outorgar limpidez a seus pensamentos, esse já achou o caminho para o Altíssimo!”

Possamos gritar, agora somos livres!

Alma Lusa

*”Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade.


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Caim e Abel

A propósito da edição do livro Caim de José Saramago e das suas polémicas declarações sobre a religião em geral, resolvi publicar este capítulo de uma obra de alto valor espiritual e do conhecimento, para esclarecer o quadro espiritual sobre os filhos dos primevos pais. A intenção de José Saramago com as suas declarações a ele pertencem, assim como a responsabilidade das mesmas, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Grato estou à ciência que nos tem desvendado o quadro da Criação e das suas leis e nos torna mais perceptível o quão magnificente é a obra do Criador; sejamos humildes pesquisadores e peregrinos, e saibamos ocupar o nosso lugar nessa obra.

Alma Lusa

Pela mensagem do Graal sabemos que a Bíblia era um livro espiritual em primeira linha, dando-nos esclarecimentos sobre factos espirituais. Muito antes do tempo de Cristo, um vidente recebeu e transmitiu, correctamente, a história de Caim e Abel. O quadro espiritual foi-lhe mostrado de tal maneira que não poderia haver dúvidas… só muito, muito mais tarde, quando os velhos textos dos videntes e profetas foram revisados novamente para que se tornassem mais “compreensíveis” aos seres humanos é que a verdade original foi tão turvada e até falsificada, que a maior parte dos seres humanos interpretavam as descrições da Bíblia como acontecimentos ocorridos na Terra.
A história de Caim e Abel não deveria ser apenas um ensinamento para que o ser humano não cobiçasse os bens do seu irmão; tampouco apenas no sentido de que não deveria matar para se apropriar dos bens alheios… tais delitos poderiam ser redimidos, se o arrependimento fosse sentido de modo intuitivo e profundo, sendo reparados também os danos. Naturalmente a extinção de tal culpa não é fácil, contudo, existe a possibilidade de uma reparação.
Mas Caim foi amaldiçoado e o Senhor, devido aos seus pecados, gravou um estigma em sua testa…esse “estigma de Caim” é o sinal de Lúcifer, mencionado na Bíblia. É a cruz torta, o “X”. quem a tiver na testa não tem possibilidade de remissão nem de libertação de seus pecados… tal pessoa perdeu a sua condição humana… a maioria dos seres humanos hoje na Terra, tem o estigma em suas testas. Isto quer dizer que estão espiritualmente mortos. Vivem ainda na Terra e na matéria fina, contudo, agora no Juízo desaparecerão para sempre também das regiões das matérias…
O quadro original recebido pelo vidente sobre Caim e Abel era o seguinte:
Caim e Abel! O vidente viu espiritualmente duas figuras humanas, que apesar da diferença exterior estavam ligadas entre si de alguma forma.

Caim era um tipo rústico, feio, sua cabeça desproporcionalmente grande em comparação ao corpo. Tinha também algo de brutal e ardiloso. Seus interesses eram dirigidos exclusivamente para as coisas terrenas. Tudo o que estivesse fora disso, ele combatia implacavelmente. Corporificava o ser humano preso à matéria, brutal, não obstante covarde, que adorava os seus ídolos terrenos…

Abel era exactamente o contrário. Belo e bem proporcionado. Também sua vestimenta era mais leve e clara. Em seus olhos brilhava o amor e a alegria de viver, eu olhar muitas vezes se elevava em silencioso agradecimento à Luz. Apesar da diversidade, Caim e Abel pertenciam-se um ao outro. Mesmo não querendo saber nada sobre Abel, Caim tinha que aturar sua presença, pois este não o abandonava. Embora ele o tratasse com todo o desprezo, Abel procurava incansavelmente despertar nele um anseio espiritual…

Todos os esforços de Abel eram em vão; seu amor e sua paciência aborreciam Caim. E ao mesmo tempo ele também os temia. Certo dia a voz de Abel começou a ficar mais fraca. Somente muito baixinho suas palavras exortantes chegava ao ouvido de Caim… apesar disso… Abel ainda se encontrava próximo. Ele movimentava-se apenas lentamente e parecia estar doente e fraco; até transparente e mesmo nesse estado Caim não podia suportar sua presença.
“Então Caim matou Abel e a voz do seu sangue absorvido pela Terra, clamou para o céu…”
E o Senhor amaldiçoou Caim… nesse momento tornou-se visível o sinal dos condenados em sua testa. A partir desse instante Caim foi banido do reino de Éden, o reina da Luz. Desde então, passou a viver bem longe, no reino hostil de “Nod”, que é o reino lúgubre dos renegados…
O quadro espiritual mostrado ao vidente, sobre Caim e Abel, impressionou-o profundamente. Sim, era para ele uma revelação. Pois naquela época dominava desavergonhada idolatria por toda a parte na Terra, e por toda a parte os seres humanos se combatiam e se tornavam inimigos… os bem-intencionados sofriam e procuravam os motivos da situação calamitosa.
O motivo foi o Caim dominador, o cérebro, o raciocínio. O raciocínio queria ser o senhor e não o servo. Não queria mais ouvir a voz do seu espírito. Essa voz exortante interior tornou-se-lhe incómoda…
Caim, o raciocínio preso à Terra, e Abel, o espírito ligado à Luz… Caim, o raciocínio, opôs-se tanto tempo à voz de Abel, a voz do espírito, até que finalmente o matou…
O que é o ser humano sem espírito? Matéria perecível, nada mais. Certa vez um escritor, cujo nome não lembro mais, emitiu em poucas palavras uma correcta definição. Ele escreveu:
“Quem separa a carne do espírito, obtém um resultado esquisito. O ser humano transforma-se numa estátua para a qual, na realidade, não há mais utilidade!”
Caim e Abel! Os filhos de Adão e Eva!
Adão e Eva são dois seres nos reinos da Luz que nunca estiveram encarnados na Terra; corporificam o supremo espiritual humano… o masculino positivo e o feminino negativo. O facto de Caim e Abel terem sido designados como filhos de Adão e Eva devia indicar que o quadro espiritual visto pelo vidente se refere aos seres humanos. Abel, o espírito humano, mais fino, almejando pela Luz, que no entanto se tornou indolente, e Caim, o raciocínio grosseiro, preso à Terra. Apesar de diferentes, um necessita do outro. Sem a cooperação harmoniosa entre ambos não há desenvolvimento no sentido da Luz. Consequentemente não há libertação nem ressurreição…
“Caim matou Abel, e a voz do seu sangue absorvido pela terra, clamou para o céu”
Com a expressão sangue deve-se entender o espírito. O espírito sacrificado à Terra, à matéria, ao raciocínio. O espírito que sem oposição se deixou sacrificar.
Sempre que for mencionado o sangue em um escrito espiritual deve-se entender aquilo que se acha estreitamente ligado ao espírito. Pois é o espírito que forma o sangue.
No meio da gestação, quando o corpo da criança está em formação, é que o espírito encarna. Dai então, é que o próprio sangue do corpo da criança começa a circular. Quando o espírito, por ocasião da morte terrena, abandona o corpo é que o sangue deixa de existir…
o leitor encontrará esclarecimentos mais detalhados na Mensagem do Graal, terceiro volume: “O Mistério do Sangue”.

Roselis Von Sass


Capítulo do livro “O livro do Juízo Final” editado pela Ordem do Graal.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

A abstinência sexual beneficia espiritualmente?

Primeira epístola a Timóteo, 3-1;3

“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar,”

Paulo

Se as criaturas humanas se livrassem do erro predominante de que a abstinência sexual é vantajosa, haveria muito menos infelicidade. A abstinência forçada é um exagero que pode vingar-se amargamente.
As leis da criação inteira para onde se olhe mostram nitidamente o caminho. Supressão é antinatural. E tudo quanto é antinatural vem a ser uma revolta contra as leis naturais, isto é, Divinas, o que, como todas as coisas, também aqui não poderá dar bons resultados.
Exactamente neste ponto não há excepção. O ser humano apenas não deve deixar-se dominar pelo desejo sexual, tornando-se escravo de seus instintos, caso contrário ele os transforma em paixão e com isso o que é natural, sadio, se torna vício mórbido.
O ser humano deve colocar-se acima, isto é: não forçar abstinência, mas exercer um controle com moral interior e pura para evitar males a si mesmo e a outrem.
Se um ou outro pensar em ascender espiritualmente através de abstinência, pode facilmente suceder-lhe que com isso consiga justamente o contrário. Segundo sua disposição se manterá em luta mais ou menos constante com seus instintos naturais. Essa luta lhe absorverá grande parte das energias espirituais, constituindo assim um estorvo para a aplicação das mesmas em outros sectores, impedindo-se assim um livre desabrochar de capacitações espirituais. Tal pessoa sofre, de tempos em tempos, de graves opressões anímicas que a impedem de alegre elevação interior.


O corpo é uma dádiva confiada pelo Criador que o ser humano tem obrigação de cultivar. Da mesma forma que ele não pode se abster sem danos às exigências do corpo pela comida, pelo beber, pelo descanso e pelo sono, esvaziamento da bexiga e dos intestinos, pela falta de ar fresco e insuficiente movimentação, que em breve se farão sentir desagradavelmente, de modo idêntico não poderá também se furtar às exigências sadias de um corpo maduro para a actividade sexual sem que com isso acarrete algum dano.


A satisfação das necessidades naturais do corpo só poderá beneficiar o ser humano interiormente. Isto é, o desenvolvimento do espiritual; jamais estorvará, do contrário o Criador nunca o teria instituído.
Mas como em tudo o mais, também aqui todo o excesso é prejudicial. Deve-se observar atentamente que essa exigência não seja acaso apenas a consequência de uma fantasia do corpo enfraquecido ou de nervos superexcitados, atiçada artificialmente por leituras ou outras causas. Há-de tratar-se real e simplesmente da exigência de um corpo sadio, a qual absolutamente não se manifesta ao ser humano de modo mui frequente.

Isso só se dará quando existir previamente uma completa harmonia espiritual entre os dois sexos, a qual por fim leva às vezes também a uma união corporal.
Todos os outros motivos são para ambas as partes degradantes, impuras e imorais, inclusive no matrimónio. Ali onde não houver harmonia espiritual, a continuação de um casamento se tornará absoluta imoralidade.
Se a regulamentação social ainda não encontrou um caminho certo, tal falha não altera em nada as leis naturais, que jamais se orientarão segundo as disposições humanas e conceitos erroneamente doutrinados. Aos homens nada mais restará senão terminarem ajustando suas instituições estatais e sociais às leis naturais, isto é, às leis Divinas se realmente queiram sanar e ter paz interior.
A abstinência sexual nada tem que ver também com a castidade. A abstinência poderia no máximo ser enquadrada no conceito de “pudicícia” oriunda de cultivo, educação ou autocontrole.
Como legitima castidade se deve compreender a pureza dos pensamentos, porém em todas as coisas, até mesmo nos pensamentos profissionais. A castidade é uma característica meramente espiritual, não uma característica física. Também na satisfação do instituto sexual a castidade pode ser mantida plenamente pela pureza mútua dos pensamentos.
Além disso a união corporal não visa apenas a fecundação, mas deve haver aí o não menos valioso e necessário processo de uma fusão íntima e uma permuta de fluidos mútuos para maior desenvolvimento de forças.

Abdruschin

Capítulo, A Abstinência Sexual Beneficia Espiritualmente? da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da verdade, volume II.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Preso à Terra

Primeira epístola aos Coríntios, 15-44, 50 (Ressurreição)

“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo celestial.
E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.”


Paulo


Tal expressão vem sendo muito usada! Mas quem é que compreende realmente o que com isso profere? “Preso à terra” soa como um castigo horrendo. A maioria dos seres humanos sente um certo pavor, atemoriza-se diante daqueles que ainda se acham presos à terra. Todavia o sentido deste termo não é tão ruim.
De certo existe muita coisa obscura que deixa esta ou aquela pessoa tornar-se presa à terra. Mas no geral são coisas bem simples as que necessariamente levarão a essa condição de aprisionamento à terra.
Tomemos por exemplo um caso: os pecados dos pais se vingam até o terceiro ou mesmo o quarto grau!

Uma criança faz em família uma pergunta qualquer sobre o além ou a respeito de Deus, com referência ao que ouviu na escola ou na igreja. O pai corta logo isso com a observação: “Ora, larga dessa tolice! Quando eu estiver morto tudo estará acabado.”
A criança fica surpresa e tomada de dúvidas. As observações desdenhosas do pai ou da mãe se repetem, a criança ouve o mesmo por parte de outros e acaba aceitando esta concepção.
Chega, no entretanto, a hora do trespasse do pai. Com horror reconhece aí que na verdade não deixou de existir. Desperta nele então o desejo ardente de comunicar esse reconhecimento ao seu filho. Esse desejo liga-o à criança.
Mas o filho não ouve nem sente a sua presença; porque vive na convicção de que o pai não existe mais, e isso se interpõe como uma firme e intransponível parede entre ele e os esforços do seu pai. E o tormento do pai por ter que observar que o filho segue caminho errado por sua culpa, o qual leva-o cada vez mais longe da verdade, o medo de que o filho nesse caminho errado não possa escapar aos perigos de afundar ainda mais e sobretudo estar muito mais facilmente exposto actuam, concomitantemente nele, no pai, como um castigo, pelo facto de haver dirigido o filho para este caminho.
Raramente um pai consegue transmitir de alguma maneira esse reconhecimento ao filho. Terá que assistir de como a ideia errada do filho se retransmite aos filhos deste, e assim por diante, tudo como co-consequência de seu próprio erro. E não se libertará enquanto um de seus descendentes não reconhecer e seguir o caminho certo influindo sobre outros tantos com o que pouco a pouco será libertado e poderá considerar sua própria escalada.

Um outro caso: um fumante inveterado leva consigo para lá o impulso forte de fumar; pois, esse impulso é um pendor que toca de leve o sentimento intuitivo, isto é, o espiritual, conquanto apenas em suas ramificações mais exteriores. Passa a sentir ardentes desejos e isso o prende lá onde possa alcançar essa satisfação… na terra. Encontra-a seguindo no encalço de fumantes e desfrutando com eles através de seus sentimentos intuitivos.
Sim, sentir-se-á bem, mui raramente chegando a ficar ciente do real castigo, se um tal não estiver ligado a algum outro lugar por severo karma. Somente quem abrange a existência toda reconhece o castigo na inevitável reciprocidade, que faz com que o respectivo não possa subir enquanto o desejo para a satisfação, constantemente vibrando no “experimentar”, o liga ainda a outras pessoas que vivem na terra em carne e osso, através de cujo sentimento intuitivo, unicamente, pode alcançar co-satisfação.
Igualmente neste caso, muitos estão presos por causa dessa predilecção, a de vasculhar por adegas e cozinhas a fim de co-participar no deliciar-se de comidas por outrem e poder conjuntamente sentir pelo menos em pequena parte o prazer.
Considerai bem, isso constitui logicamente um “castigo”. Mas o desejo ansioso dos “que se acham presos à terra” não os deixa sentir intuitivamente, porém, domina tudo o mais e por isso o anelo às coisas mais elevadas não pode tornar-se tão forte que chegue a ser um principal vivenciar, que desse modo os liberta do outro e eleva.
O que realmente perdem com isso eles nem o percebem até que esse desejo, para se satisfazer, que aliás apenas pode constituir uma satisfação parcial através de outrem, acaba afrouxando e enfraquecendo com um desacostume paulatino, dando margem assim a que outros sentimentos intuitivos nele latentes e com menor força de desejo, gradualmente, se instalem e preponderem chegando ao imediato experimentar vivencial e com isso à força de realidade.
A espécie dos sentimentos intuitivos avivados o conduz para lá onde se acha a igual espécie, quer de nível mais alto ou mais baixo, até que esta, como a anterior, pouco a pouco se liberte pelo desuso e venha outra a se evidenciar, se porventura ainda exista. Assim, com o tempo, se opera a purificação das numerosas escórias que eles levaram para o além. Acaso permanecerão detidos alhures por algum ultimo sentimento intuitivo? Ou depauperados de força intuitiva? Não! Porque quando, finalmente, os sentimentos intuitivos inferiores, pouco a pouco, morrerem ou forem abandonados, segue-se para cima, desperta o anseio contínuo para coisas cada vez mais elevadas e puras e os impele permanentemente para cima.

Assim é o andamento normal! Há, porém, milhares de imprevistos. O perigo de queda ou de detenção é muito maior do que em carne e osso na terra. Se já te encontras em plano mais elevado e cedes ante algum sentimento intuitivo inferior por um momento que seja, tal sentimento intuitivo tornar-se-á imediatamente um vivenciar e com isso, realidade. És mais denso e serás mais pesado, cairás para regiões de igual espécie. Teu horizonte se restringe com isto e terás que te trabalhar nova e lentamente para cima se não te acontecer caíres mais e mais profundamente ainda.
“Velai e orai!” portanto, não é uma expressão vazia. Por enquanto os elementos de matéria fina existentes em ti ainda se acham protegidos por teu corpo, sustentados como que por uma firme ancora. Quando sobrevier o desenlace no assim chamado morrer e a decomposição do corpo, estarás então sem protecção e por seres de matéria fina, irresistivelmente serás atraído pela igual espécie, seja alta ou baixa, não poderás fugir.
Somente uma grande força propulsora te poderá ajudar a subir, isto é, tua rija vontade em demanda das coisas altas, boas, transformando-se em anseio e em sentimento intuitivo e, com isso, também para o vivenciar e para a realidade, segundo a lei do mundo da matéria fina que só conhece sentimento intuitivo.
Por isso, trata de te aparelhar desde já com essa vontade para que na ocasião do trespasse, que pode sobrevir a qualquer instante, não possas ser subjugado por apetites terrenais demasiado fortes! Acautela-te, criatura humana, e vigia!

Abdruschin

Capítulo, Preso à Terra, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da verdade, volume II.



quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Espiritismo

Lucas, 8-53;55

“E riam-se dele, sabendo que estava morta. Mas ele, pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer.”

Espiritismo! Mediunidade! Acaloradamente se luta a favor e também contra. Não é tarefa minha dizer algo sobre os adversários e seu afinco em negar. Seria desperdício de tempo; pois, cada ser humano raciocinando com lógica bastará ler a qualidade das assim chamadas provas ou pesquisas para, por si só, reconhecer que elas atestam completo desconhecimento e categórica incapacidade dos “examinadores”. Por quê? Se eu quero examinar a terra tenho que me acomodar segundo a terra e sua constituição. Se, porém, pretendo investigar o mar, outra coisa não me resta senão me acomodar segundo a água e me servir dos meios correspondentes à constituição da água.
Querer aplicar às águas perfuradoras ou enxadas ou mesmo pás, pouco proveitoso me seria em tais investigações. Ou porventura terei que negar a água por não opor resistência à entrada da pá, muito ao contrário do que acontece à terra de consistência mais compacta e a mim mais familiar? Ou por não me ser possível, tampouco, andar a pé sobre ela como habitualmente em terra firme?
Adversários dirão: é diferente; pois, a existência da água vejo e a sinto, isto portanto ninguém pode negar!

Quanto tempo faz que se negava energicamente os milhões de seres multicolores numa gota de água, de cuja existência já agora cada criança sabe? E por quê se negava? Somente porque não se os viam! Só depois que se inventou um instrumento adequado foi que se pode reconhecer, ver e observar esse novo mundo.
O mesmo se dá com o mundo extra material, o assim chamado além! Tornai-vos conscientes! E então permiti-vos a um julgamento! Depende de vós e não do “outro mundo”. Tendes em vós, além do vosso corpo de matéria grosseira ainda a matéria do outro mundo, ao passo que os que se acham no além não possuem mais da vossa matéria grosseira.
Exigis e esperais que os que se acham no além se aproximem de vós (dando sinais etc.), conquanto desprovidos de todo de matéria grosseira. Esperais que eles vos comprovem sua existência enquanto vós mesmos, que sois constituídos não sé de matéria grosseira como também da substância que eles dispõem, aguardais sentados em atitude de juízes.

Construi vós, pois, a ponte que vós podeis estender, trabalhai enfim com a mesma substância que também está à vossa disposição e assim podereis ver! Ou, calai-vos quando não compreendeis e continuai a cevar apenas o que é da matéria grosseira, que cada vez mais sobrecarrega o que é da matéria fina.

Dia virá em que o que é da matéria fina terá que se separar do que é da matéria grosseira, ficando por terra extenuado por se ter desabituado totalmente ao voo; pois, também isso está sujeito às leis terrenas como o corpo terreno.
Somente movimento produz força! Não necessitais de médiuns para conhecer o que é da matéria fina. Basta observardes a vida que encerra a vossa própria matéria fina. Concedei-lhe, mediante a vossa vontade, o que necessita para se fortificar. Ou acaso pretendeis contestar também a existência de vossa vontade uma vez que não a podeis ver nem apalpar? (…)
Dificilmente os homens concederão um meio-termo a um médium. Refiro-me aqui apenas a um médium merecedor de consideração e não aos inúmeros com sopro de mediunidade, que procuram por em evidência suas faculdades medíocres. Longe também está em mim defender de alguma forma os grandes séquitos dos médiuns; pois, em mui raros casos existe real valor de tais espiritistas que se juntam em redor de um médium, com excepção dos pesquisadores sinceros que enfrentam esse campo novo de modo a aprender, não porém ignobilmente julgador.

Para a maioria dos assim chamados fiéis, semelhantes frequências ou “sessões” não produzem nenhum progresso, mas estágio ou retrocesso. Tornam-se tão sem autonomia que não mais são capazes de tomar uma resolução, mas sempre querendo chamar a si o conselho “dos que se acham no além”. Muitas vezes até em assuntos os mais ridículos e, via de regra, para ninharias terrenas.

Um pesquisador sério ou uma pessoa honestamente interessada há de sempre se revoltar com a incrível estreiteza exactamente desses que, durante anos e anos, que como frequentadores assíduos, se sentem junto a um médium “como que em casa”.
Com ares de extraordinária inteligência e superioridade falam os maiores disparates e se postam acolá em atitude hipócrita de devoção para sentirem as agradáveis excitações nervosas que o convívio com as forças invisíveis oferece à fantasia. (…)

O espiritismo se tem difamado muito, não por si próprio, mas por causa da maior parte dos adeptos que, já após poucas experiencias e no mais das vezes precárias, presumem, entusiasticamente, que o véu já lhes foi removido, desejando então proporcionar aos outros uma ideia da vida de matéria fina por eles mesmo imaginada, criada por uma fantasia desenfreada e correspondendo em primeiro lugar e de modo exacto aos próprios desejos. Raramente, contudo, tais perspectivas se coadunam de todo com a verdade!

Abdruschin

Excerto do capítulo, Espiritismo, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da verdade, volume II.