Génesis, 1: 26,27
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a Terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a Terra.
E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
Eu indico mais uma vez que toda a vida na criação consiste de duas categorias: o consciente e o inconsciente. Somente ao tornar-se consciente se forma também a imagem do Criador que compreendemos como sendo a forma humana. O amoldamento processa-se uniforme e concomitantemente com a conscientização.
Na primeira criação propriamente, pois, que por estar mais próxima do Espírito Criador também só pode ser espiritual, se encontra ao lado do consciente homem espiritual criado por primeiro, também o espiritual ainda inconsciente. Nesse inconsciente, com as mesmas propriedades do consciente, reside naturalmente o anseio para o desenvolvimento progressivo. Este só se pode dar, porém, pelo aumento progressivo da conscientização.
Quando, portanto, no espírito inconsciente esse anseio para a conscientização tiver aumentado até certo grau, dar-se-á um fenómeno por naturalíssimo desenvolvimento que equivale a um nascimento terreno. Precisamos apenas prestar atenção ao nosso ambiente. Aqui, o corpo de matéria grosseira expele automaticamente cada fruto amadurecido. No animal e na criatura humana. Também cada árvore expele seus frutos. O fenómeno é a repetição de um desenvolvimento progressivo cujos fundamentos se acham na primeira criação.
De igual modo sucede lá numa determinada madureza do inconsciente, ansiando pela conscientização, um repelimento automático ou chamado também expulsão, uma separação da outra parte do inconsciente que ainda não fora impelida para isso.
Essas partículas espirituais inconscientes, assim expelidas, formam então os germes espirituais de futuros seres humanos!
Esse fenómeno deve acontecer, porque no inconsciente se encontra a irresponsabilidade, ao passo que com a conscientização amadurece concomitantemente a responsabilidade.
A separação do inconsciente em amadurecimento é portanto indispensável para o espiritual, que por anseio natural quer desenvolver-se para o consciente. É um progresso, nenhum retrocesso!
Como essas sementes vivas não podem ser expelidas para cima, para a perfeição, resta-lhes então o único caminho para baixo. Mas aí penetram no reino enteal de mais peso, o qual nada contém de espiritual.
Assim o germe espiritual que anseia a conscientização fica de súbito num ambiente a ele heterogéneo, portanto, estranho e com isso praticamente descoberto. Ele, sendo espírito, na entealidade mais densa, sente-se descoberto e nu. Se quer permanecer naquilo ou prosseguir, torna-se-lhe uma necessidade natural cobrir-se com um invólucro enteal que tenha a mesma espécie do seu ambiente. De outra maneira não consegue agir aí e nem se manter também. Portanto, não sente apenas a necessidade de cobrir sua nudez no caminho para o reconhecimento, conforme figuradamente a bíblia descreve, mas também aqui é um processo evolutivo indispensável.
O germe do espírito humano em desenvolvimento é conduzido, pois, progressivamente, à matéria por caminhos naturais!
E aqui então o envolve mais uma vez um necessário invólucro da mesma estruturação do seu novo âmbito material.
Encontra-se ele então na orla extrema da matéria fina.
Mas a Terra é aquele ponto de matéria grosseira onde se reúne tudo quanto existe na Criação. Conflui aqui todos os sectores, os quais de outro modo se achariam categoricamente separados devido às suas características específicas. Todos os fios, todos os caminhos convergem para a Terra como para um ponto de concentração. Ligando-se aqui e gerando novos efeitos, são arremessados para o universo torrentes de energia em poderosas chamas! Tal como de nenhum outro lugar da matéria.
(…)
Aí a lei de atracão dos homólogos se manifesta mais nitidamente ainda. Cada um dos espíritos imaturos é atraído como que magneticamente, exatamente de acordo com o desejo ou pendor que traz em si, por um ponto onde o conteúdo do seu desejo chega à realização por seres humanos terrenos. Se tiver, por exemplo, o desejo de dominar, não nascerá acaso num ambiente onde, pois, ele próprio possa viver na realização de seu desejo, ao contrário, será atraído por uma pessoa com acentuada tendência para dominar, que, portanto, sente intuitivamente com ele, analogamente, e assim por diante.
Expia dessa forma o errado, em parte, ou acha a felicidade no certo. Pelo menos tem ensejo para tanto.
Devido a esse fenómeno supõe-se, erradamente, pois, transmissão hereditária de propriedades ou de faculdades espirituais! Isso é errado! Externamente, contudo, pode aparentar assim. Mas na realidade uma criatura humana não pode transmitir aos filhos nada de seu espírito vivo.
Não existe nenhuma hereditariedade espiritual!
Pessoa alguma se acha em condições de ceder sequer uma reduzidíssima partícula de seu espírito vivo!
(…)
Falta, pois, ao espírito encarnado no corpo da criança, uma ponte de irradiação que só poderá se formar na época da maturação corpórea pela força sexual. Essa ponte falta ao espírito para uma atuação plenamente efetivante e realmente laboriosa na criação, atuação que somente poderá ser efetuada através da possibilidade ininterrupta de irradiações por todas as espécies da criação. Pois apenas nas irradiações se encontra a vida, e somente delas e por elas surge movimento.
Durante esse tempo a criança, que só pode efetivar-se de modo pleno sobre o seu ambiente pela sua parte enteal, não, porém, pelo núcleo espiritual, tem perante as leis da criação um pouco mais de responsabilidade do que um animal em desenvolvimento máximo.
Nesse ínterim vai amadurecendo o corpo jovem e, pouco a pouco, nele desperta a força sexual que se encontra apenas na matéria grosseira. Ela é a mais fina e a mais nobre flor de toda a matéria grosseira, o mais elevado que a criação de matéria grosseira pode oferecer. Por sua delicadeza constitui o ápice de tudo quanto é de matéria grosseira, isto é, terrenal que se encontra mais perto da entealidade como ultimo reflexo vivo da matéria. A força sexual é a vida pulsátil da matéria, e só ela pode constituir a ponte para entealidade que, por sua vez, proporciona a passagem para o espiritual.
Por esse motivo o despertar da força sexual no corpo de matéria grosseira é como o processo do abaixar da ponte levadiça de uma fortaleza até então fechada.
(…)
Como em toda a criação há também aqui um trítono, e no descer observa-se igualmente um desenvolvimento dada vez mais grosseiro. O sentimento intuitivo de pudor, como a primeira consequência da força sexual, deve constituir o obstáculo quanto à transição para o instinto sexual, a fim de que o ser humano em seu alto nível não se entregue à prática sexual animalescamente.
Ai do povo que não atentar nisto!
Um forte sentimento intuitivo de pudor cuida para que o ser humano jamais possa sucumbir a uma embriaguez sensual! Protege contra paixões; pois, devido a fenómeno completamente natural jamais permitirá oportunidades de se esquecer durante uma fração de momento sequer.
Somente com violência consegue o ser humano afastar mediante sua vontade essa maravilhosa dádiva para então comportar-se animalescamente! Tal violenta intromissão na ordem universal do Criador há-de se lhe tornar maldição; pois, a força do instinto corpóreo-sexual assim libertada não lhe é mais natural em sua impetuosidade.
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Abdruschin
Excerto da dissertação, A força sexual em sua importância para ascensão espiritual, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume II.