Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

A força sexual em sua importância para ascenção Espiritual

Génesis, 1: 26,27

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a Terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a Terra.
E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

Eu indico mais uma vez que toda a vida na criação consiste de duas categorias: o consciente e o inconsciente. Somente ao tornar-se consciente se forma também a imagem do Criador que compreendemos como sendo a forma humana. O amoldamento processa-se uniforme e concomitantemente com a conscientização.
Na primeira criação propriamente, pois, que por estar mais próxima do Espírito Criador também só pode ser espiritual, se encontra ao lado do consciente homem espiritual criado por primeiro, também o espiritual ainda inconsciente. Nesse inconsciente, com as mesmas propriedades do consciente, reside naturalmente o anseio para o desenvolvimento progressivo. Este só se pode dar, porém, pelo aumento progressivo da conscientização.

Quando, portanto, no espírito inconsciente esse anseio para a conscientização tiver aumentado até certo grau, dar-se-á um fenómeno por naturalíssimo desenvolvimento que equivale a um nascimento terreno. Precisamos apenas prestar atenção ao nosso ambiente. Aqui, o corpo de matéria grosseira expele automaticamente cada fruto amadurecido. No animal e na criatura humana. Também cada árvore expele seus frutos. O fenómeno é a repetição de um desenvolvimento progressivo cujos fundamentos se acham na primeira criação.
De igual modo sucede lá numa determinada madureza do inconsciente, ansiando pela conscientização, um repelimento automático ou chamado também expulsão, uma separação da outra parte do inconsciente que ainda não fora impelida para isso.
Essas partículas espirituais inconscientes, assim expelidas, formam então os germes espirituais de futuros seres humanos!

Esse fenómeno deve acontecer, porque no inconsciente se encontra a irresponsabilidade, ao passo que com a conscientização amadurece concomitantemente a responsabilidade.
A separação do inconsciente em amadurecimento é portanto indispensável para o espiritual, que por anseio natural quer desenvolver-se para o consciente. É um progresso, nenhum retrocesso!
Como essas sementes vivas não podem ser expelidas para cima, para a perfeição, resta-lhes então o único caminho para baixo. Mas aí penetram no reino enteal de mais peso, o qual nada contém de espiritual.
Assim o germe espiritual que anseia a conscientização fica de súbito num ambiente a ele heterogéneo, portanto, estranho e com isso praticamente descoberto. Ele, sendo espírito, na entealidade mais densa, sente-se descoberto e nu. Se quer permanecer naquilo ou prosseguir, torna-se-lhe uma necessidade natural cobrir-se com um invólucro enteal que tenha a mesma espécie do seu ambiente. De outra maneira não consegue agir aí e nem se manter também. Portanto, não sente apenas a necessidade de cobrir sua nudez no caminho para o reconhecimento, conforme figuradamente a bíblia descreve, mas também aqui é um processo evolutivo indispensável.

O germe do espírito humano em desenvolvimento é conduzido, pois, progressivamente, à matéria por caminhos naturais!
E aqui então o envolve mais uma vez um necessário invólucro da mesma estruturação do seu novo âmbito material.
Encontra-se ele então na orla extrema da matéria fina.
Mas a Terra é aquele ponto de matéria grosseira onde se reúne tudo quanto existe na Criação. Conflui aqui todos os sectores, os quais de outro modo se achariam categoricamente separados devido às suas características específicas. Todos os fios, todos os caminhos convergem para a Terra como para um ponto de concentração. Ligando-se aqui e gerando novos efeitos, são arremessados para o universo torrentes de energia em poderosas chamas! Tal como de nenhum outro lugar da matéria.
(…)
Aí a lei de atracão dos homólogos se manifesta mais nitidamente ainda. Cada um dos espíritos imaturos é atraído como que magneticamente, exatamente de acordo com o desejo ou pendor que traz em si, por um ponto onde o conteúdo do seu desejo chega à realização por seres humanos terrenos. Se tiver, por exemplo, o desejo de dominar, não nascerá acaso num ambiente onde, pois, ele próprio possa viver na realização de seu desejo, ao contrário, será atraído por uma pessoa com acentuada tendência para dominar, que, portanto, sente intuitivamente com ele, analogamente, e assim por diante.
Expia dessa forma o errado, em parte, ou acha a felicidade no certo. Pelo menos tem ensejo para tanto.
Devido a esse fenómeno supõe-se, erradamente, pois, transmissão hereditária de propriedades ou de faculdades espirituais! Isso é errado! Externamente, contudo, pode aparentar assim. Mas na realidade uma criatura humana não pode transmitir aos filhos nada de seu espírito vivo.
Não existe nenhuma hereditariedade espiritual!
Pessoa alguma se acha em condições de ceder sequer uma reduzidíssima partícula de seu espírito vivo!
(…)
Falta, pois, ao espírito encarnado no corpo da criança, uma ponte de irradiação que só poderá se formar na época da maturação corpórea pela força sexual. Essa ponte falta ao espírito para uma atuação plenamente efetivante e realmente laboriosa na criação, atuação que somente poderá ser efetuada através da possibilidade ininterrupta de irradiações por todas as espécies da criação. Pois apenas nas irradiações se encontra a vida, e somente delas e por elas surge movimento.
Durante esse tempo a criança, que só pode efetivar-se de modo pleno sobre o seu ambiente pela sua parte enteal, não, porém, pelo núcleo espiritual, tem perante as leis da criação um pouco mais de responsabilidade do que um animal em desenvolvimento máximo.
Nesse ínterim vai amadurecendo o corpo jovem e, pouco a pouco, nele desperta a força sexual que se encontra apenas na matéria grosseira. Ela é a mais fina e a mais nobre flor de toda a matéria grosseira, o mais elevado que a criação de matéria grosseira pode oferecer. Por sua delicadeza constitui o ápice de tudo quanto é de matéria grosseira, isto é, terrenal que se encontra mais perto da entealidade como ultimo reflexo vivo da matéria. A força sexual é a vida pulsátil da matéria, e só ela pode constituir a ponte para entealidade que, por sua vez, proporciona a passagem para o espiritual.
Por esse motivo o despertar da força sexual no corpo de matéria grosseira é como o processo do abaixar da ponte levadiça de uma fortaleza até então fechada.
(…)
Como em toda a criação há também aqui um trítono, e no descer observa-se igualmente um desenvolvimento dada vez mais grosseiro. O sentimento intuitivo de pudor, como a primeira consequência da força sexual, deve constituir o obstáculo quanto à transição para o instinto sexual, a fim de que o ser humano em seu alto nível não se entregue à prática sexual animalescamente.
Ai do povo que não atentar nisto!
Um forte sentimento intuitivo de pudor cuida para que o ser humano jamais possa sucumbir a uma embriaguez sensual! Protege contra paixões; pois, devido a fenómeno completamente natural jamais permitirá oportunidades de se esquecer durante uma fração de momento sequer.
Somente com violência consegue o ser humano afastar mediante sua vontade essa maravilhosa dádiva para então comportar-se animalescamente! Tal violenta intromissão na ordem universal do Criador há-de se lhe tornar maldição; pois, a força do instinto corpóreo-sexual assim libertada não lhe é mais natural em sua impetuosidade.
(…)

Abdruschin

Excerto da dissertação, A força sexual em sua importância para ascensão espiritual, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume II.

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Solenidade da Estrela Radiante, Amor Divino!

Solenidade da Estrela Radiante, Amor Divino!
Dia solene, dia de Devoção pelo Amor do Altíssimo, amparo e força para a nossa evolução espiritual na caminhada pelas planícies da matéria rumo à Pátria, de onde viemos e para onde deveremos voltar depois da peregrinação, evoluídos e iluminados na Luz Eterna de nosso Criador.
“Pai-Nosso que estás nos Céus,
Santificado seja o Teu Nome,
Venha a nós o Teu Reino,
Seja feita a Tua Vontade,
Assim na Terra como no Céu!”
Amém

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Natal é quando um homem quiser!

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Ary dos Santos

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

O Filho do Homem

João 6-27
“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque, a este, o Pai, Deus, o selou.”
Jesus
Desde o crime contra o Filho de Deus, o Portador da Verdade, Jesus de Nazaré, pesa uma como que maldição sobre a humanidade, por não haver esta reconhecido devidamente a mais importante das profecias para os seres humanos, encontrando-se frente a isso ainda hoje inconsciente como se tivesse uma espessa venda diante dos olhos. A consequência medonha disso será que grande parte das criaturas humanas cambaleando passará da única possibilidade de sua salvação da condenação ao encontro da destruição.
Esta é a profecia da vinda do Filho do Homem que o Filho de Deus, sob os ataques constantes das massas que por se encontrarem nas trevas tinham que odiar logicamente o Portador da Verdade, deu como estrela de esperança e, não obstante, por sua vez, também como severa advertência.
A mesma onda de ideias e sentimentos erróneos que já naquele tempo não deixava que se reconhecesse o Filho de Deus como tal, perturbava a compreensão a respeito da importância dessa anunciação, já na ocasião de sua origem. Estava o espírito humano demasiado obscurecido, por demais convencido de si para poder ainda receber, de modo puro, Mensagens de Deus tão elevadas. Mensagens, que vieram de uma altitude acima de seu próprio círculo de origem, resvalavam pelos ouvidos sem efeito.
Para compreender teria sido necessária fé proveniente de convicção consciente, de que outrora nem os próprios adeptos eram capazes. O solo onde as palavras do Salvador caíam ainda estava demasiadamente coberto por um cipoal. Além disso se juntaram em apenas poucos anos as colossais experiências vivenciais e abalos psíquicos dos mais próximos ao Salvador, com o que tudo havia de concentrar-se sentimentalmente de tal modo na pessoa d´Ele que o seu falar, referente a uma outra pessoa num futuro remoto, não foi considerado nesse sentido antes entrelaçada novamente com Ele próprio.
Assim perdurou até os dias de hoje o erro na acepção dos seres humanos, uma vez que os descrentes não se preocupavam com as palavras do Salvador, ao passo que os fiéis suprimiram à força, exatamente por causa de sua fé, qualquer análise séria e crítica às tradições, pelo temor sagrado de tocar mesmo de leve nas palavras do Salvador. Omitiam aí, porém, não tratar-se de Suas reais, originárias e próprias palavras mas tão-só de reproduções que foram escritas muito tempo depois de Sua passagem pela Terra. Mas com isso, evidentemente, ficavam sujeitas às alterações inconscientes do intelecto humano e da acepção humana e pessoal.
Há sem dúvida uma certa grandeza respeitosa conservação de tradição humana e, por isso, também não se deve fazer qualquer censura a respeito.
(…)

Aquele que acredita no Filho de Deus e em Suas palavras, e as tem vivificado dentro de si, isto é, tem-nas dentro de si na correcta interpretação e age de acordo, evidentemente, não precisa esperar pelo prometido Filho do Homem, pois que, este não lhe pode trazer outra coisa senão o mesmo que o Filho de Deus já trouxe. Aí, no entanto, é pressuposto que haja compreendido realmente as palavras do Filho de Deus e que não se agarre obstinadamente a tradições erróneas. Caso se tenha apegado em qualquer parte a erros não poderá concluir sua escalada até obter o esclarecimento que ficou reservado ao Filho do Homem, porque o limitado espírito humano por si não é capaz de se livrar do cipoal que envolve espessamente agora a Verdade.
Jesus designou a vinda do Filho do Homem como a ultima possibilidade de salvação apontando também que com Ele se desencadeará o Juízo, que portanto estes que mesmo então ainda aí não quiserem, ou dito de outro modo, não estejam dispostos a receber esclarecimento algum devido a sua própria obstinação ou indolência, terão que ser definitivamente condenados. Disso se deve concluir que em sequência ulterior não haverá mais outra possibilidade de reflexão e de decisão. Nisso há também, evidentemente, a anunciação de uma ação severa portadora de um fim a uma paciente espera. Isto, por sua vez, atesta luta futura da Luz contra todas as trevas que redundará na destruição violenta de tudo quanto é treva.
(…)
Não é a vontade humana que poderá um dia escolher o Filho do Homem enviado por Deus, mas a força de Deus O soerguerá na hora em que a humanidade desvalida implorar choramingando por salvação. Então se calarão as injúrias, porque o pavor selará tais bocas e, de bom grado, aceitar-se-ão todas as dádivas que o Criador oferecer através d´Ele às criaturas. Mas todo aquele que não quiser receber d´Ele será expulso por toda a eternidade.
Abdruschin
Excerto da dissertação O filho do Homem da obra “Mensagem do Graal”, na Luz da Verdade, volume II.

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Conceito Humano e Vontade de Deus na Lei da Reciprocidade

João 3-19;21
“…”Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque, todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.”
Jesus
Quando se deve falar em conceito humano e em concepção humana a que também se acha ligada a justiça terrena, não se deve esperar que isso equivalha à justiça Divina ou o que sequer se lhe aproxime. Pelo contrário se deve infelizmente dizer que na maior parte dos casos existe até uma diferença tão grande como o céu. Nesta confrontação a popular expressão “tão grande como o céu” é apropriada no mais verdadeiro sentido.
Esta diferença deixar-se-ia muitas vezes explicar à humanidade pelo intelecto limitado ao espaço e ao tempo, pois que, devido à sua restrição não consegue reconhecer o erro propriamente e separá-lo do direito, uma vez que isto raramente é reconhecível por exterioridades, mas tão só se acha no mais íntimo de cada pessoa para cujo ajuizamento rígidos parágrafos de lei e sabedoria escolar não bastam. É entristecedor, porém, que por esse motivo tantos julgamentos dos tribunais humanos devam estar em oposição direta à justiça Divina.
(…)
Por isso apropriado é, pois, o estimulo para raciocinar serenamente e para o desenvolvimento da justa capacidade de julgamento próprio, a qual repele qualquer inclinação cega a opiniões alheias e somente assimila, pensa, fala e age segundo seu próprio sentimento intuitivo!
Jamais o ser humano deve se esquecer de que ele sozinho terá que responder por aquilo que ele sente de modo intuitivo, pensa e faz, mesmo que o tenha aceitado de outrem de modo incondicional!
Ditoso aquele que alcançar essa altura indo de encontro a cada parecer de modo criterioso, para então agir segundo os seus próprios sentimentos intuitivos.
Assim não co-participa da culpa, como milhares que muitas vezes se sobrecarregam com um carma pesado, apenas por leviandade e sensacionalismo, por preconceitos e difamação, o que os leva a regiões cujos sofrimentos e dores jamais necessitariam conhecer. Com isso, muitas vezes se deixam já na terra reter de muito do que realmente é bom, perdendo com isso não somente muito em benefício próprio, mas põem em jogo assim talvez tudo, sua existência inteira.
Assim foi com o ódio inflamado e insensato contra Jesus de Nazaré, cujo motivo propriamente poucos apenas dos malévolos vociferadores conheciam, ao passo que os demais se entregavam simplesmente a uma fúria totalmente ignorante e cega, gritando em conjunto, sem que jamais tivessem, pessoalmente, estado em contacto com Jesus. Não menos perdidos são também todos aqueles que baseados em opiniões erróneas de outros, afastaram-se d`Ele e nem sequer ouviram Suas palavras e, muito menos ainda, se deram ao trabalho de um exame criterioso com o que, não obstante, poderiam ter reconhecido finalmente o valor.
Somente assim podia amadurecer a desvairada tragédia que colocou sob acusação por blasfémia exactamente o Filho de Deus, levando-O á cruz! Ele, o único que promanava de Deus e lhes anunciava a verdade sobre Deus e a Sua Vontade!
Esse fato é tão grotesco que nele se patenteia com ofuscante clareza toda a mesquinhez das criaturas humanas.
E, de então para cá, a humanidade não progrediu interiormente, pelo contrário, só fês regredir, não obstante todas as outras descobertas e invenções.
Apenas o que progrediu, e isso em função dos êxitos exteriores, foi a presunção de sempre se querer saber mais, a qual foi gerada e cultivada exatamente pela estreiteza, sendo aquela, aliás, uma característica específica da estreiteza.
E neste solo, que durante dois milénios se foi tornando cada vez mais fértil, foi que brotaram as concepções humanas atuais que atuam de modo decisivo e devastador, enquanto as criaturas humanas, sem pressentirem, elas próprias se enleiam nisso cada vez mais para sua própria horrível fatalidade.
Quem aí ademais por concepções erróneas se acarretar, muitas vezes de boa fé, efeitos maus de uma correnteza retroativa, portanto, violando as leis divinas, até agora raras vezes se tem tornado claro a alguém. O número é grande, e muitos estão até orgulhosos em sua presunção sem o pressentir, até que num dia terão que ver a verdade com angustioso pavor, a qual é tão diferente daquilo que sua convicção deixou-os imaginar.
Mas então será tarde de mais. A culpa com que se sobrecarregaram terá que ser remida em luta penosa consigo mesmo, muitas vezes por decénios.
Longo e difícil é o caminho até o reconhecimento, quando uma pessoa perdeu a oportunidade favorável da existência terrena e se sobrecarregou, intencionalmente até ou por ignorância, ainda de novas culpas.
Desculpas aí jamais são consideradas de importância. Cada qual pode sabê-lo se quiser!
Quem sentir o anseio de reconhecer uma vez a justiça Divina no decurso dos efeitos recíprocos em contraste com concepções terrenas, este se esforce em observar algum exemplo da vida terrena a respeito, examinando aí de que lado se acha realmente o certo e o errado. Muitos se lhe apresentarão, diariamente.
Em breve sua própria capacidade de sentir intuitivamente se desenvolverá mais acentuada e mais viva, para lançar fora, finalmente todos os preceitos apreendidos de acepções falhas. Surge assim um sentimento intuitivo de justiça, que pode confiar em si mesmo porque a colhe a Vontade Deus, no reconhecer de todos os efeitos retroativos, n´Ela está e atua.
Abdruschin
Excerto da dissertação, Conceito humano e Vontade de Deus na Lei da Reciprocidade, da obra, “Mensagem do Graal”, na Luz da Verdade, volume II, de Abdruschin

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Ressurreição do corpo terreno de Cristo

João, 20-11;18
“E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.
Disse-lhe Jesus: Mulher, porque choras? Quem buscas? Ela cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer, Mestre).
Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai: mas vai dizer para os meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que Ele lhe dissera isto.”

Perfeito é Deus, o Senhor! Perfeita a Sua Vontade, que está n`Ele e d`Ele emana para gerar e conservar a obra da criação. Perfeitas são portanto também as leis que em Sua Vontade perpassam a Criação.
Perfeição, no entanto, exclui de antemão qualquer desvio. É esta a base que justifica deveras a dúvida a propósito de tantas asseverações! Várias doutrinas se contradizem, porque ao mesmo tempo que ensinam acertadamente a perfeição de Deus estabelecem asserções absolutamente opostas, exigindo que se creia em coisas, que excluem a perfeição de Deus e de Sua Vontade que se encontra nas leis da criação.
Com isso se disseminou em muitas doutrinas o germe de doença. Verme corroedor que um dia deverá fazer ruir toda a estrutura. Tal desmoronamento é tanto mais inevitável ali onde de tais contradições foram feitas as colunas mestras, não apenas pondo em dúvida a perfeição Divina mas até mesmo negando-a diretamente! Essa negação da perfeição de Deus faz parte de credos dogmáticos por exigência, que só então possibilitam a entrada nas comunidades.

Temos aí a conversa sobre a ressurreição da carne com referência à ressurreição do corpo terreno do Filho de Deus, o que a maioria das pessoas aceita impensadamente, sem deixar o menor vestígio de uma compreensão. Outros por sua vez se apropriam de tal asserção com uma ignorância totalmente consciente, por não disporem do preceptor que pudesse dar uma explanação correta sobre isso.
Que quadro triste se oferece aí ao observador sereno e sincero. Quão lastimável se apresenta diante dele tal grupo, que muitas vezes até, orgulhosamente, se considera partidário fervoroso de sua religião, crentes ortodoxos demonstrando zelo ao olhar precipitadamente com ignorante desdém para quantos pensam de modo diverso, sem pensar que exatamente isto deve ser considerado como comprovação infalível de incompreensão irremediável.
Quem, sem indagar, aceita e confessa como convicção própria assuntos importantes, mostra com isso ilimitada indiferença, porém, nenhuma verdadeira fé.
Nesse aspeto tal pessoa está diante d`Aquele que ele costuma chamar de Altíssimo e de Santíssimo, o que lhe deve constituir o conteúdo e o apoio para toda a existência.
Com isso ele não é um elo vivo de sua religião, a quem possa advir ascensão e libertação, mas um metal ressoante, apenas um chocalho vazio e tininte, alguém que não compreende as leis de seu Criador e nem se empenha por reconhece-las.
Para todos que assim agem isso significa uma parada e um retrocesso no caminho que deve conduzi-los, para fins de evolução e beneficiamento, através da matéria rumo à Luz da Verdade.

Também a concepção errada da ressurreição da carne é, como qualquer outra concepção errónea, um estorvo gerado artificialmente que eles levam consigo para o além, diante do qual ali têm eles que ficar parados e não prosseguem, porque não podem se libertar daquilo sozinhos; pois, crença errada pende firmemente neles atando-os de tal modo que qualquer livre visão para a verdade luminosa lhes é cortado. Não ousam pensar diferentemente, e por isso não progridem.
 (…)
A perfeição equivale porém a inalterabilidade. Resulta disto que é completamente impossível uma torção nessas leis básicas ou da natureza. Por outras palavras: em circunstância alguma podem ocorrer excepções que contradigam a todos os fenómenos em sua naturalidade.
Portanto não pode ocorrer nenhuma ressurreição da carne que, como grosseiro-material, incondicionalmente permanece ligada à matéria grosseira!
Uma vez que todas as leis primordiais têm promanado da perfeição Divina, um novo ato da Vontade de Deus jamais poderá se desenvolver em forma diferente do que a dada desde os primórdios da Criação.
Se algumas doutrinas se fecham a esta evidência, que resulta incondicionalmente da perfeição de Deus, provam então que os seus fundamentos estão errados, que estão construídos sobre o intelecto humano adstrito ao espaço e ao tempo e, consequentemente, não podem ter alguma pretensão à Mensagem de Deus, a qual não mostraria qualquer lacuna, uma vez que essa só pode advir da perfeição da própria Verdade que é completa e, igualmente, compreensível em sua grandeza singela. Antes de mais nada é natural, porque a natureza, assim chamada pelas criaturas humanas, originou-se da perfeição da Vontade Divina, conservando ainda hoje de maneira inalterada sua vitalidade, mas também não podendo com isso estar sujeita a excepção alguma.
(…)
Uma vez que fica excluído, como cada ciência pode verificar na própria criação, é errado e constitui uma dúvida à perfeição de Deus quando se deva afirmar que esta carne de matéria grosseira tenha ressuscitado e, após quarenta dias, ingressado num outro mundo.
Se a carne realmente deva ressuscitar, isto só poderá ocorrer quando a alma, ainda ligada por um cordão de matéria fina ao corpo de matéria grosseira por algum tempo, for chamada de volta a esse corpo (*). Devido às leis naturais só é possível se dar isso enquanto persistir esse cordão. Uma vez desligado tal cordão um ressuscitar, isto é, uma chamada à alma de volta ao corpo de matéria grosseira de até então seria impossível.
Isso igualmente está sujeito estritamente às perfeitíssimas leis da natureza e o próprio Deus não conseguiria por ser contra as Suas próprias leis perfeitas, contra a Sua Vontade perfeita que atua de modo automático na natureza. Exatamente devido a essa perfeição, nunca poderia Lhe ocorrer ideia tão imperfeita que só constituiria um ato de arbitrariedade.
(…)
O próprio Jesus, no entanto, não fez quaisquer escritos nos quais, unicamente, se pudesse basear de modo incondicional e categórico.
Nunca teria dito ou escrito algo que não concordasse com as leis de Seu Pai, as leis Divinas da natureza ou a Vontade Criadora de modo pleno e integral. Disse Ele próprio, pois, expressamente:
Vim para cumprir as Leis de Deus!
(…)
O conceito geral “ressurreição da carne” encontra sua justificativa nos nascimentos terrenos, que não cessarão enquanto houver criaturas humanas terrenas. È uma grande promessa a da concessão de repetidas vidas terrenas, de renovadas encarnações com o fito de um progresso mais rápido e indispensável resgate de efeitos retroativos de espécies inferiores, equivalendo a um perdão dos pecados. Uma prova do incomensurável Amor de do Criador, cuja graça se encontra na concessão de oportunidade renovada às almas desencarnadas, que malbarataram, total ou parcialmente, seu tempo terreno e por isso chegaram imaturas para uma escalada, de se envolverem com um novo corpo de matéria grosseira, ou manto, pelo que sua carne deixada festeja uma ressurreição na nova carne. Com isto a alma desencarnada vivencia uma nova ressurreição na carne!
Que bênção se encontra nessa realização de tão elevada graça que permanentemente se repete, não abrangendo tudo com a vista o espírito humano somente mais tarde poderá compreender!

Abdruschin

Excerto da Dissertação, Ressurreição do corpo terreno de Cristo, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume II, de Abdruschin.
(*) Dissertação: A Morte
A dissertação, bem como a obra completa, podem ser descarregadas em formato PDF.