Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Sábado, 28 de Maio de 2011

Pai perdoai-lhes; Pois não sabem o que fazem!

Lucas 23: 34

“E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali O crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo os Seus vestidos, lançaram sortes.”

Quem não conhece estas palavras importantíssimas que Jesus de Nazaré pronunciou quando pendia da cruz. Uma das maiores intercessões que jamais foram pronunciadas. De modo nítido e claro. Todavia permaneceu-se durante dois milénios diante dessas palavras de modo incompreensível. Interpretou-se-as unilateralmente. Apenas àquela direcção que parecia agradável aos seres humanos. Não houve um sequer que levantasse sua voz em prol do verdadeiro sentido, e o bradasse à humanidade, principalmente com toda a clareza aos cristãos!
Mas, não apenas isso. Todos os acontecimentos abaladores na vida terrena do Filho de Deus foram colocados sob luz errada devido à unilateralidade na transmissão. São erros, contudo, que não somente o cristianismo apresenta, mas encontram-se em cada religião.
Quando discípulos colocam o puramente pessoal do preceptor e mestre acima de tudo e bem em evidência se compreende, principalmente, se este mestre fosse arrancado de modo tão brutal e repentino de seu meio, para ser exposto, na mais completa inocência, a gravíssimos sofrimentos e aos mais grosseiros escárnios e, por fim, à tormentosíssima morte.
Coisa tal se grava, profundamente, nas almas daqueles que puderam conhecer o seu preceptor da maneira mais ideal na convivência em conjunto, ocasionando que aquilo que é pessoal se coloca então à frente de todo o recordar. Isso é absolutamente compreensível. Mas a Sagrada missão do Filho de Deus foi a Sua Palavra, o trazer da Verdade das alturas luminosas a fim de assim mostrar à humanidade seu caminho para a Luz que até então lhe esteve vedado, por que seu estado espiritual, em seu desenvolvimento, antes, não possibilitava seguir aquele caminho!
Os sofrimentos infringidos pela humanidade a esse grande portador da Verdade ficam à parte, completamente!
Mas aquilo que nos discípulos era evidente e natural, resultou na religião posterior em muitos e grandes erros. A objectividade da Mensagem de Deus ficou longe, em segundo plano, diante do culto pessoal ao Portador da Verdade, o que Cristo jamais quis.
(…)
O nascimento de Cristo foi um ato de amor divino para toda a Criação que estava sob a ameaça de ser minada pelo espírito humano em se perdendo.
Isso acarreta também que a parte Divina, outrora encarnada em Jesus de Nazaré, há de reingressar completamente no Pai, conforme o próprio Cristo tantas vezes afirmou. Tem que se tornar novamente uno com Ele.
Os portais do Paraíso somente foram abertos para espíritos humanos amadurecidos pela Mensagem de Cristo. Até aí não existia ainda a faculdade de compreender com acerto o caminho até lá. A Mensagem se destinava aos seres humanos terrenos bem como aos falecidos, como cada Mensagem de Deus, cada palavra da Verdade luminosa!
As criaturas humanas ouviram nela, após a severidade das leis, também, de um amor, que até então ainda não poderiam ter compreendido, mas que deveriam de então por diante desenvolver em si. As leis, contudo, não foram derrubadas por essa Mensagem de amor, pelo contrário, apenas ajustadas. Deveriam permanecer como base firme, cujos efeitos encerraram tal amor.
(…)
E quando alguém quer, de modo totalmente desesperado, uma resposta acaso demasiadamente clara, simplesmente se coloca então aquilo que não se compreende no reino do Divino mistério. Ali devem desembocar todos os caminhos de perguntas não solucionadas como porto de salvação. Mas assim se revelam, nitidamente, como os caminhos errados!
Pois, cada caminho certo tem também um fim claro, não podendo conduzir à impenetrabilidade. Onde “imperscrutáveis caminhos de Deus” devam servir como explicação, há uma fuga por ignorância, que não se pode desconhecer.
Ao ser humano não há necessidade de qualquer mistério na Criação, nem deve; pois Deus quer que Suas leis vigentes na Criação sejam bem conhecidas do ser humano a fim de que ele se possa conduzir de acordo e, por meio delas, completar e cumprir mais facilmente seu percurso pelo universo, sem se perder na ignorância.
Permanece, porém, uma das mais fatais acepções considerar o brutal assassínio do Filho de Deus como um holocausto indispensável em favor da humanidade!
Pensar que esse brutal assassínio do Filho deva reconsiderar um Deus!
Uma vez que essa estranha acepção não pode encontrar, logicamente, nenhum esclarecimento, escondem-se, com isso, mais uma vez de modo embaraçado, atrás do muro de protecção do Divino Mistério, tão frequentemente usado, portanto, de um de fenómeno que não se pode tornar compreensível ao ser humano!
No entretanto, Deus é tão claro em tudo quanto faz. A própria clareza! Criou, pois, a natureza segundo a Sua Vontade. Portanto, o que é natural tem de ser exactamente o certo! Pois, a Vontade de Deus é absolutamente perfeita.
Mas o holocausto na cruz há de ser antinatural a cada senso recto, porque injusto contra o Filho de Deus inocente. Não há aí nem um girar ou esquivar. Preferivelmente, confesse a criatura humana uma vez, de modo franco, que algo disso seja realmente incompreensível! Pode se esforçar como quiser, não chegará a uma conclusão aí, não podendo mais compreender nesse caso o seu Deus.
Todavia Deus quer ser compreendido!
Outrossim, pode sê-lo, porque a manifestação de Sua Vontade reside claramente na Criação, não se contradiz nunca. Apenas os seres humanos são os que se empenham, em suas investigações religiosas, por introduzir o que é incompreensível.
A penosa composição do errado pensamento de base, de um holocausto indispensável com a morte na cruz, já fica desfeita pelas palavras do próprio Salvador, na ocasião em que o crucificaram.
Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!
Seria, pois, necessária essa intercessão se a morte na cruz devesse ser um sacrifício indispensável para a reconciliação? O “não sabem o que fazem!” é, pois, uma acusação da mais grave espécie. Uma indicação patente de que está errado o que fazem. Que esse ato foi apenas um vil crime.
Teria Cristo rogado em Getsémani que o cálice do sofrimento Lhe fosse desviado se a morte na cruz devesse ser um holocausto necessário? Nunca! Cristo não teria feito isso!
Assim, porém, sabia que as torturas que O aguardavam eram apenas uma consequência da livre vontade humana. E, por isso, Seu rogo.
(…)

Abdruschin

Excerto da Dissertação, Pai perdoai-lhes: pois não sabem o que fazem! da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, II volume.

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