Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Sábado, 14 de Maio de 2011

Sexo

Géneses, 4
E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e teve Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão.

Grande parte das criaturas humano-terrenas se deixa oprimir sobremaneira pelos pensamentos referentes ao trato entre os dois sexos, o masculino e o feminino. Excluídos ficam, sim, apenas os levianos que de mais a mais por nada se deixam oprimir. Os demais, por diferentes que sejam, buscam de modo aberto ou silenciosamente recolhidos em si por alguma solução.
Existem, felizmente, muitas pessoas que exactamente a tal propósito anseiam por um orientador certo. Se seguiriam de acordo com aquilo, fica, aliás, incerto. Todavia é facto que se ocupam muito com isso e que em grande parte se deixam também oprimir pela certeza consciente de que se acham diante dessa questão ignorantemente.
Procurou-se resolvê-la ou fixá-la em problemas matrimoniais, mas não se aproximou ainda com isso de uma satisfatória ideia fundamental, uma vez que aqui, como por toda a parte, o objectivo principal é apenas que o ser humano saiba com o que tem de tratar! Do contrário jamais dará conta disso. Permanece-lhe a inquietação.
Muitos confundem aí, mui frequentemente, já de antemão, o conceito certo da palavra “sexo”. Tomam-na de modo genérico quando o real sentido disso é muito mais profundo.
Se quisermos ter uma imagem certa a tal respeito não devemos ser tão unilaterais de comprimi-la em preceitos que somente podem servir a uma ordem social, puramente terrena, e muitas vezes totalmente oposta às leis da Criação. Em assuntos tão graves é indispensável se aprofundar na Criação, a fim de apreender o pensamento básico.
Denominamos o conceito, feminino e masculino, simplesmente, de sexo diferente. Mas a palavra sexo deixa a maioria das pessoas errarem de modo incisivo desde o início, porque involuntariamente em muitos surgem pensamentos ligados à procriação. E isto é errado. A separação entre masculino e feminino nesse sentido, dentro da grande acepção da Criação, somente tem a ver algo com a matéria grosseira, a mais externa e a mais densa. No fenómeno principal, não.

Que é um sexo? O germe espiritual, em sua saída do reino espiritual, não tem sexo. Também não ocorre uma cisão, conforme é admitido muitas vezes.
No fundo, um germe espiritual permanece sempre isolado em si mesmo. Com a conscientização do germe espiritual em sua peregrinação através do após-criação, isto é, a reprodução automática da criação propriamente, adquire, como já acentuei diversas vezes, as formas humanas, que conhecemos, de acordo com a gradação de sua conscientização, as quais são reproduções das imagens de Deus, dos primordialmente criados.
Decisivo aí pois, o modo da actividade de um germe espiritual. Isto é, qual a direcção que tal germe espiritual durante a conscientização procura desenvolver de modo predominante às faculdades nele latentes, se de modo positivo, vigorosamente impulsionador, ou de modo negativo, serenamente conservador. Para onde seu anelar essencial impelir.
E com a actividade por ele realizada, mesmo que esta actividade no início esteja apenas num forte desejar, crescendo para um anseio, molda-se a forma.

O positivo constitui a forma masculina, o negativo a forma feminina. Nisso já o masculino e o feminino se mostram reconhecíveis, exteriormente, por sua forma. Ambos são por suas formas a expressão definida da espécie da sua actividade, que escolhem ou desejam. Tais desejos são, na realidade, em sua origem, apenas as expressões da constituição específica dos respectivos germes espirituais, portanto, negativa ou positiva.
Feminino e masculino nada têm que ver, portanto, com o conceito habitual de um sexo, mas mostram apenas o modo de actividade na Criação. Somente na matéria grosseira tão conhecida dos seres humanos se desenvolvem, oriundos da forma, os órgãos da reprodução que compreendemos por masculino e feminino. Somente o corpo de matéria grosseira, isto é, o corpo terreno, necessita desses órgãos para a sua reprodução.
O modo da actividade na Criação molda, pois, a forma do corpo propriamente, a masculina ou a feminina, da qual o corpo terreno de matéria grosseira é, por sua vez, apenas uma reprodução toscamente feita.

Com isso colocam-se também as práticas sexuais naquele degrau onde pertencem, isto é, no mais baixo plano existente na Criação, no de matéria grosseira que se acha bem distante do espiritual!
Tanto mais triste é, pois, quando um espírito humano se submete de tal modo ao jugo dessas práticas pertencentes à casca, a mais externa, ao ponto de se tornar um escravo disso! E isso infelizmente se tornou hoje tão generalizado resultando num quadro que mostra como o inavaliável e elevado espiritual, voluntariamente, há de se deixar pisar e prender em baixo, sob a camada da matéria, a mais grosseira.
É evidente que tal acontecer antinatural tenha que resultar num fim nefasto. Antinatural porque o espírito por natureza é o mais elevado na Criação toda, e só pode reinar harmonia nela enquanto o espiritual dominar como o supremo, ficando tudo o mais debaixo dele, inclusive na ligação com o material grosseiro terrenal.
Não preciso aqui expressar-me, especialmente, quanto ao triste papel que representa uma pessoa que coloca o seu espírito sob o domínio do manto da matéria mais grosseira. De um manto que só por ele adquire a sua sensibilidade, devendo perdê.la de novo pelo despir, uma ferramenta na mão do espírito, que necessita, sim, de cuidados a fim de mante-la útil, contudo pode permanecer sempre apenas uma ferramenta dominada.

A forma espiritual, enteal e fino-material do corpo se modifica tão logo um germe espiritual modifique a sua actividade. Se passa do negativo para o positivo, predominantemente, terá a forma feminina que se transformar em masculina, e vice-versa; porque a espécie predominantemente da actividade molda a forma.
Contudo, o invólucro de matéria grosseira terrena não pode acompanhar assim rapidamente a modificação. Esta não é de tal modo transformável, razão por que destinada também apenas um prazo bem curto. Aqui aparece então uma modificação nas reencarnações, que na maioria dos casos são numerosas.
Assim acontece que um espírito humano às vezes alternativamente peregrina suas vidas terrenas em corpos masculinos e femininos, de acordo com a sua alternadora sintonização interior. Mas, então, é um estado antinatural provocado pela torção teimosa e violenta.

A acepção dos seres humanos de que para cada pessoa haja uma alma complementar, é correta em si, mas não no sentido de uma cisão precedida. A alma-dual é apenas aquela adequada a uma outra alma. Quer dizer, uma alma que desenvolveu exactamente aquelas faculdades que a outra alma deixou adormecidas em si. Disso advém um complemento total, resulta num trabalhar em comum de todas as faculdades do espírito, de todas as positivas e de todas as negativas. Mas, tais complementos não se dão apenas uma vez, pelo contrário, muitas vezes, de maneira que uma pessoa ansiosa por um complemento não depende acaso, exclusivamente, de uma outra bem determinada pessoa. Dessas poderá encontrar muitas em sua existência terrena, contanto que conserve pura e vigilante a sua faculdade de sentimento intuitivo.
As condições da vida para a felicidade não são, portanto, de modo algum tão difíceis de cumprir, como parece à primeira vista aos semi-conhecedores. A felicidade é muito mais fácil de ser obtida do que tantos imaginam. A humanidade tem que conhecer antes de mais nada as leis, que residem na Criação. Se tiver de acordo com elas terá que se tornar feliz! Hoje, porém, ela se acha muito distante ainda disso e, por essa razão, aqueles que se aproximam da verdade na Criação sentir-se-ão, por enquanto, solitários no mais das vezes, o que porém de modo algum infelicita, antes traz em si uma grande paz.

Abdruschin

Dissertação Sexo da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, II volume.

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