Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Sábado, 23 de Julho de 2011

Cismadores

A pessoa que passa os seus dias terrenos remoendo a seu próprio respeito, jamais poderá ascender, pelo contrário, permanece impedida.
Tantas pessoas, porém, vivem na opinião de que exactamente esse cismar e um auto observar sejam algo de importante com o que progridem. Empregam muitas palavras para isso, as quais escondem o núcleo, propriamente. Um aflige-se em remorsos, outro em humildade. Ainda há aqueles que cismam em descobrir seus defeitos e o caminho para evitá-los, e assim por diante. Permanece um constante remoer que raramente ou nunca lhes permite chegar à verdadeira alegria.
Assim, não é desejado. O caminho é falso, não conduz nunca aos luminosos e livres reinos. Pois, com o cismar o ser se ata! Dirige o seu olhar forçosamente para si apenas, ao invés de voltá-lo para um alvo alto, límpido e luminoso!
Uma gargalhada alegre, cordial, é o maior adversário das trevas. Só que esta gargalhada não deve ser um riso de escárnio!
Ao contrário disso, o cismar deprime. Só nisto já existe um esclarecimento de que aquilo retém em baixo, concomitantemente puxando para baixo.
O verdadeiro núcleo do constante cismar não é, outrossim, uma vontade boa, mas, tão só, vaidade, ambição e presunção! Não é o anseio puro pela Luz, mas a mania de auto presunção que lhe dá o motivo para um remoer, incentivado sempre de novo e nutrido continuamente!
Com o torturar de si mesma tal pessoa medita sempre e sempre de novo a seu próprio respeito, observa com afinco os prós e contras que se alternam no processo de sua alma, irrita-se, consola-se para, finalmente, com um profundo suspiro de repousante auto satisfação, verificar ela própria que, mais uma vez, houve por “superar” algo, tendo avançado mais um passo. Digo aqui, propositalmente, “ela própria verificar”; pois, realmente, ela sozinha verificará a maior parte, e essas verificações próprias sempre são apenas auto ilusões. Na realidade não progrediu passo algum, pelo contrário, comete sempre de novo os mesmos erros, não obstante julgar que não sejam mais os mesmos. Mas são eles sempre os antigos, apenas se altera a forma.
Assim, tal pessoa jamais progride. Contudo, com a auto observação julga superar um erro após o outro. No entanto, gira sempre em círculo… em redor de si própria, enquanto o mal fundamental, nela inerente, cria apenas novas formas, permanentemente.
Uma pessoa que sempre se observa e cisma a seu próprio respeito é a corporificação de quem luta contra a serpente de nove cabeças, à qual cresce de novo cada cabeça tão logo seja decepada, pelo que a luta não chega a um termo, e nem se nota vantagem alguma do lado de quem luta.
Assim é realmente o fenómeno de matéria fina na atuação do cismador; o que, na antiguidade, as pessoas ainda podiam ver, quando outrora consideravam tudo quanto não fosse de matéria grosseira como deuses, semi-deuses ou demais espécies de entes.
Apenas quem visa um alvo elevado, livremente, com vontade alegre, portanto, dirigindo os olhos na direcção do alvo sem mantê-los, porém, descidos sobre si próprios, aquele progride e ascende rumo às alturas luminosas. Nenhuma criança aprende a correr sem levar muitos tombos, mas quase sempre, sorrindo, novamente se levanta até acabar adquirindo firmeza nos passos. Assim tem que ser a criatura humana, no caminho através do mundo. De forma alguma desesperar ou de modo lastimoso queixar-se, se cair uma vez. Levantar-se corajosamente e experimentar de novo! Inteirar-se dos ensinamentos da queda, no sentimento intuitivo, porém, não com um raciocinar observador. Então chegará uma vez, também, o momento, inteiramente inesperado, quando não é de se temer mais alguma queda para ele, por ter assimilado tudo o que aí aprendeu.
Assimilar, porém, ele só pode pelo próprio vivenciar. Não por observações. Um cismador nunca chega a um vivenciar; pois, pela observação se coloca sempre fora de qualquer vivência, olhando para si próprio como para um estranho, dissecando e desarticulando, ao invés de sentir plena e intuitivamente para si. Mas, se ele olha para si, tem que ficar de lado o sentimento intuitivo; o que está na expressão: olhar para si, observar-se!
Com isso está explicado, outrossim, que ele está servindo apenas ao intelecto, que todo o real vivenciar, no sentimento intuitivo, ele não somente impede, mas exclui totalmente.
Não deixa que o efeito de cada acontecimento externo ultrapasse além da matéria, além do cérebro anterior, o qual é o primeiro a recebê-lo. Ali é retido, presunçosamente dissecado e desarticulado, de modo que não alcança o cerebelo que transmite o sentimento intuitivo somente através do qual o espírito poderia assimilá-lo para um vivenciar.


Portanto, atentai nas minhas palavras: Assim como o espírito humano há de canalizar sua actividade de dentro para fora, de modo lógico através do cerebelo para o cérebro, do mesmo modo fenómenos exteriores podem somente atuar retroativamente no mesmo caminho se o espírito humano quer recebê-los com experiências vivenciais.
A impressão de fenómenos externos provenientes da matéria, sempre oriunda de fora, deve portanto, através do cérebro, passar pelo cerebelo até o espírito. Não diferentemente. Ao passo que a atuação do espírito deve seguir o mesmo percurso em sentido inverso, em direcção para fora, porque só o cerebelo possui a faculdade de recepção das impressões espirituais.
O cismador, porém, retém obstinadamente a impressão do fenómeno exterior ao cérebro, dissecando-o e desarticulando-o ali, e não a retransmite, integralmente ao cerebelo, mas apenas de modo parcial, e ainda assim adulterando esses fragmentos, devido a actividade mental forçada, portanto, não mais tão real como fora.
Por isso não lhe pode também advir progresso, nenhum amadurecimento espiritual, que só o real vivenciar de acontecimentos externos propicia.
Sêde, nisso, como as crianças! Assimilai, integralmente, e vivenciai-o em vós, imediatamente. Então aquilo refluirá em retorno através do cerebelo que transmite a intuição para o cérebro do raciocínio, podendo de lá, ou sair preparado para uma eficaz e vigorosa defesa, ou atuar para uma ampliada capacidade de recepção, segundo a espécie dos fenómenos exteriores cujas irradiações se denominam influências ou impressões de fora.
O reino do milénio tem que se tornar o reino da paz e da alegria; o reino de Deus na Terra servirá também para as criaturas humanas se aprofundarem ainda mais nesses ensinamentos. Com isso os seres humanos entendem, novamente, algo errado com seu exigente desejar porque, devido à sua presunção, nada mais pode se formar de modo certo e sadio. Ante a expressão reino de Deus na Terra, passa um jubiloso estremecer pelas fileiras de todos aqueles que o esperam. Imaginam então, realmente, uma dádiva de alegria e de felicidade que corresponde plenamente ao anseio de uma vida tranquila e folgada. Porém esse tempo será de absoluta obediência para toda a Humanidade!
Hoje ninguém quer supor que haja nisso uma exigência! Que a vontade dos seres humanos e de seu desejar tenham, finalmente, que se orientar de modo total, segundo a vontade de Deus!
E surgirá paz, alegria, porque tudo quanto estorva será violentamente removido da Terra e afastado no futuro. A isso pertence agora, em primeira linha, a criatura humana. Pois ela, sozinha, trouxe a perturbação na Criação e na Terra. Mas de determinada hora em diante um perturbador não conseguirá mais viver nesta Terra.
Isto será realizado pela alteração das irradiações, que chegará a efectivar-se através da estrela do Filho do Homem. A paz será imposta, não presenteada, e o manter da paz, então, exigido de modo rigoroso e implacável!
Assim será o reino da paz e da alegria, o reino de Deus na Terra, no qual o ser humano terá que ser privado do direito do domínio de sua vontade, que até agora lhe foi permitido, uma vez que ele, como espiritual entre os desenvolvidos nesta Terra, como criatura mais elevada, tem que dominar, incondicionalmente, de acordo com as leis primordiais da Criação.
Somente aquela pessoa, e toda a criatura que, voluntariamente, se colocar na vontade de Deus ainda poderá subsistir no futuro! Portanto, vive, pensa e atua segundo Ela! Isto, unicamente, oferece a faculdade de viver no reino vindouro do milénio!

Abdruschin

Dissertação, Cismadores, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.
A dissertação, bem como a obra completa, pode ser lida em formato PDF.

0 comentários: