Esse cerebelo, segundo o modo determinado das diversas impressões, forma igual a um negativo fotográfico a imagem do acontecimento desejado pelo espírito, ou que o espírito formou através de sua poderosa força, por sua vontade. Uma imagem sem palavras! O cérebro anterior recebe essa imagem e procura descrevê-la com palavras, com o que se dá a geração dos pensamentos que chegam à expressão na linguagem.
O processo todo é na realidade muito simples. Quero repetir ainda uma vez: o espírito com o auxílio do plexo solar impressiona a ponte a ele dada, imprime, por conseguinte, em ondas de energia uma determinada vontade no instrumento a ele para tanto entregue, o cerebelo, que logo retransmite ao cérebro anterior o que recebeu. Nessa retransmissão já se processa uma pequena modificação pela densificação, visto como o cerebelo acrescenta algo de sua própria espécie.
Como os articulantes elos de uma corrente, atuam os instrumentos no corpo humano, os quais estão à disposição do espírito para utilização. Todos eles agem, porém, apenas formando, nem podem diferentemente. Conforme sua espécie específica formam a tudo quanto lhes é transmitido. Dessa maneira também o cérebro anterior recebe a imagem transmitida pelo cerebelo e, de acordo com sua estrutura um pouco mais grosseira, comprime-a pela primeira vez em conceitos mais restritos de espaço e tempo, densificando-a assim e a retransmite dessa maneira ao mundo de matéria fina, já algo mais palpável, das formas de pensamentos.
Mas a seguir já forma também palavras e frases, que por meio dos órgãos da linguagem penetram como ondas sonoras formadas na matéria grosseira algo mais fina para aí, por sua vez, provocar novo efeito que o movimento dessas ondas acarreta.
A palavra falada é, portanto, um efeito das imagens através do cérebro anterior. Este, porém, pode dar a direcção do efeito, em vez de para os órgãos da linguagem, aos órgãos da movimentação, pelo que se origina, em lugar da palavra, a escrita ou a acção.
Este é o curso normal da actividade do espírito humano desejada pelo Criador na matéria grosseira.
É o caminho certo que teria conduzido à sadia evolução anterior da Criação, onde um extraviar da humanidade nem era possível.
No entretanto, voluntariamente, o ser humano saiu dessa via, que lhe fora prescrita pela constituição do corpo. Com teimosia interferiu no curso normal da cadeia de seus instrumentos fazendo do intelecto o seu ídolo. Dessa maneira lançou toda a energia na educação do intelecto, unilateralmente, sobre esse único ponto apenas. O cérebro anterior, como gerador, foi forçado desproporcionalmente em relação aos demais instrumentos cooperadores.
Isto naturalmente se vingou. O funcionamento uniforme e em comum de todos os elos individuais foi derrubado e impedido, com isso também qualquer desenvolvimento acertado. A tensão máxima do cérebro anterior, exclusivamente, durante milénios, exagerou seu crescimento muito acima de tudo o mais. A consequência é o repelir da actividade de todas as partes negligenciadas, que tinham que ficar mais fracas pela menor utilização. A isso pertence, em primeira linha, o cerebelo, que é o instrumento do espírito. Disso decorre que a função do espírito humano propriamente, não ficou apenas impedida fortemente, mas muitas vezes interceptada e desligada, totalmente. A possibilidade de correto intercâmbio com o cérebro anterior através da ponte do cerebelo está enterrada, ao passo que uma ligação direta do espírito humano com o cérebro anterior fica totalmente excluída, visto que sua constituição nem é adequada para isso. Depende, categoricamente, do pleno funcionamento do cerebelo em cuja sequência posterior está de acordo com a Vontade de Deus, se quiser exercer correctamente a função que lhe cabe.
Para receber as vibrações do espírito é necessária a espécie do cerebelo. Isso nem pode ser contornado; pois, o cérebro anterior já pela actividade tem que preparar a transição para a parte da fina da matéria grosseira e, por isso, é outrossim de constituição completamente diferente, muito mais grosseira.
No cultivo excessivo e unilateral do cérebro anterior se acha portanto o pecado hereditário do ser humano terreno contra Deus, ou expresso de modo mais nítido, contra as leis Divinas que, na distribuição correta de todos os instrumentos corpóreos, de idêntico modo se patenteiam como em toda a Criação.
A conservação dessa distribuição correta teria trazido em si, outrossim, o caminho certo e reto à ascensão do espírito humano. Mas o ser humano. Em sua presunção ambiciosa, interferiu assim nas malhas do hígido atuar destacando e cuidando de modo especial uma parte disso, negligenciando as demais. Isso tinha que acarretar assimetria e estagnação. Mas, se o curso de fenómeno natural for impedido desse modo, adoecimento e falhar, por último, emaranhada confusão e ruína, hão de ser a absoluta consequência.
Aqui, no entanto, não entra em consideração apenas o corpo mas, em primeira linha, o espírito! Com essa arbitrariedade do cultivo desigual de ambos os cérebros no percorrer dos milénios, o cérebro posterior ficou suprimido pela negligência e, com isso embaraçado o espírito em sua actividade. Tornou-se pecado hereditário, porque com o tempo o unilateral e excessivo cultivo do cérebro anterior já é transmitido a cada criança, como herança de matéria grosseira, pelo que lhe dificulta de antemão, incrivelmente, um despertar espiritual e fortalecer porque a ponte do cérebro posterior, indispensável para tanto, não lhe ficou mais tão facilmente transitável e, mui frequentemente, foi cortada até.
(…)
Que se liberte, portanto, o ser humano, finalmente, das consequências do mal hereditário se não quiser se perder.
Tudo evidentemente requer esforço, assim também isto. O ser humano deve, sim, despertar de seu comodismo para se tornar, finalmente, aquilo que deveria ter sido, já desde o início! Beneficiador da Criação e transmissor de Luz para toda a criatura!
Abdruschin
Excerto da Dissertação, Sentimento Intuitivo, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, II volume.
Esta dissertação pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.
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