O conceito do ser humano sobre a vida tem sido errado até agora. Tudo quanto ele denominava vida, nada mais é do que um movimento impulsionado que deve ser considerado apenas como efeito natural da vida, propriamente.
Na criação inteira é, portanto, formador, maturativo, conservador e desintegrador apenas o efeito posterior do movimento mais ou menos forte. O intelecto humano pesquisou esse movimento como sendo o mais elevado e aí encontrou os seus limites. Não pode ir além em suas pesquisas, por ser ele mesmo um produto desse movimento. Por isso o denominava, por ser o máximo de seu reconhecimento, simplesmente de “força” ou “força viva”, ou chamava-o também de “vida”.
Contudo, não é força nem vida, mas tão-somente um efeito natural e inevitável disso; pois, força existe apenas na própria vida, é una com ela, indissociável. Uma vez que a força e a vida são indissociáveis, porém, a Criação, apenas formada, conservada e desintegrada exclusivamente pelo movimento, não se pode falar, outrossim, nem de força nem de vida dentro da Criação.
Quem, portanto, quiser falar em descoberta de força original ou até em aplicação dessa força primordial por meio de máquinas, se encontra num erro porque essa nem poderá encontrar dentro da Criação. Considera como tal algo diferente e a denomina, apenas segundo a sua acepção, erroneamente de "força”. Uma tal pessoa prova com isso, porém, não ter ideia alguma dos fenómenos da Criação ou dela mesma, contudo, não pode ser censurada a respeito; pois, co-participa dessa ignorância com todos os seus semelhantes, instruídos ou não instruídos.
Por isso falei desde o começo na minha Mensagem de uma “força” que perflui a Criação, porque só dessa maneira eu podia tornar muitas coisas compreensíveis aos seres humanos.
Do contrário não teriam aprendido minhas explanações. Mas agora posso prosseguir e dar uma imagem reproduzindo de modo claro os acontecimentos de todos os fenómenos. Essa descrição é nova, mas não altera nada de meus esclarecimentos até aqui dados, pelo contrário, tudo permanece exactamente assim como falei e é real. O novo em minha actual transmissão é apenas aparente, porque desta vez eu o ilumino de maneira diferente.
Dou com isso uma base firme, uma grande taça em que a pessoa pode colocar tudo o que foi dito na presente Mensagem como um conteúdo borbulhante em contínuo movimento, perfazendo um todo, algo absolutamente homogeneizante, interfluente. Assim, o ser humano ganha uma visão global harmonizante de tudo e inesgotável para ele do grande fenómeno até aí desconhecido dele, o qual encerra em si seu próprio evoluir e existir.
O ouvinte e o leitor procurem, pois, conceituar em imagens o que eu lhes desenrolo:
Vida, vida real, é algo completamente autónomo, completamente independente. Do contrário não deveria ser denominada de “vida”. Essa, contudo, só se encontra em Deus! E uma vez que fora de Deus nada é realmente “vivo”, só Ele tem a força que está na vida. Somente Ele, portanto, é a frequentemente chamada força original ou, aliás, a “força”! E na força reside por sua vez a Luz! A expressão “Luz original” é, para isso, identicamente, errada como a expressão “força original”; pois, simplesmente existe apenas aquela Luz única e aquela força única: Deus!
A existência de Deus, da Força, da Luz, portanto, da Vida, já por si só condiciona as Criações! Pois, a Luz viva, a Força viva não pode evitar irradiações. E essas irradiações encerram todo o necessário para a Criação.
A irradiação, porém, não é a própria Luz!
Portanto, tudo que existe fora de Deus tem sua origem exclusivamente na irradiação de Deus! Essa irradiação, contudo, é para a Luz um efeito evidente. E esse efeito sempre existiu, desde a eternidade.
A intensidade da irradiação é, pois, nas proximidades da Luz, evidentemente, a mais forte, de maneira que ali não pode haver nenhum outro movimento senão o absoluto e tenso movimento para a frente, que reside na irradiação. Assim emana de Deus para longe, para distâncias lendárias, cuja extensão um espírito humano não consegue imaginar.
Mas ali, onde esse incondicional impelir para frente, equivalente a uma pressão contínua e descomunal diminui por fim um pouco, o movimento apenas impelente de até então passa para um sentido circular. Esse sentido circular é provocado pelo facto de que, a concomitante atração atuante da força viva atraindo, retrai tudo que foi lançado além do limite da irradiação integral até o ponto onde predomina o movimento que impele apenas para a frente. Originam-se assim os movimentos circulares em forma elíptica, por não ser uma movimentação própria mas apenas produzida através da expulsão para além de certo ponto e o seguinte retraimento provocado pela atração que reside na força, portanto, em Deus mesmo.
(…)
Somente quando Deus, em Sua Vontade, emanou a grande Palavra: Haja Luz! As irradiações se lançaram além do limite até então desejado, para o espaço sem luz, trazendo movimento e calor. E assim se iniciou a Criação que, criando o espírito humano, podia se tornar sua pátria.
Deus, a Luz, não precisa dessa Criação. Se Ele limitasse outra vez a irradiação ao ponto em que é inevitável de modo a restar apenas uma esfera de pureza Divina, onde jamais possa ocorrer uma turvação, como já fora antes, então terá chegado o fim para tudo o mais. Mas com isso acabaria também a existência da criatura humana, que só nela pode ser consciente.
A irradiação imediata da Luz só pode gerar o que é perfeito.
(…)
Abdruschin
Excerto da Dissertação, A Vida, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, II volume.
Esta dissertação pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.
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