Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Sábado, 16 de Julho de 2011

No País da Penumbra

“A Sabedoria de Deus governa o Universo! Lutai, criaturas humanas, para pressentir no reconhecimento a Sua Grandeza!”

Deixa-te guiar, ó alma humana, um passo a dentro do reino da matéria fina! Atravessaremos a região das sombras em parada; pois que dela já falei. É aquele país onde têm que permanecer os que são ainda demasiadamente incapazes para se utilizar correctamente do seu corpo de matéria fina. Exactamente todos aqueles que aqui na Terra se consideraram excepcionalmente sagazes. No reino da matéria fina são mudos, cegos e surdos, porque o intelecto terreno, como produto de seu corpo de matéria grosseira não pode chegar junto até aí, pelo contrário permaneceu nos limites restritos que ele, por ser preso à Terra, jamais pôde transpor.
A primeira consequência de seu grande erro e isso tornar-se-á logo evidente a uma alma humana depois da morte terrena, por ser imprestável no reino da matéria fina, desamparada e fraca, muito pior do que uma criança recém-nascida na Terra de matéria grosseira. Por isso são chamadas sombras. Almas que ainda sentem intuitivamente sua existência, mas disso não conseguem ficar conscientes.
Deixemos para trás esses ignaros que nesta Terra pretendendo saber tudo melhor palavreavam inúmeros nadas, mas têm agora que ficar calados.

Entramos na planície da penumbra! Um sussurro chega a nossos ouvidos bem consentâneo com a pálida luz da penumbra que nos rodeia, deixando reconhecer, de modo confuso, contornos de colinas, prados e arbustos. Tudo aqui é sintonizado de modo lógico à penumbra, podendo acarretar um despertar. Mas pode apenas, não acaso obriga.
Aqui não é possível nenhum som livre e alegre, nenhuma visão clara; apenas um semi-despertar, um permanecer enclausurado, consentâneo com o estado das almas que aqui se encontram. Todas elas têm um movimento lânguido, deslizando cansadamente, apáticas, exceto um incerto impelir a uma direcção donde parece emergir, em longínquo horizonte, um ténue róseo anunciando Luz que atua como doce encantamento sobre essas almas aparentemente tão cansadas. Almas aparentemente cansadas; pois são preguiçosas no espírito e por isso seus corpos de matéria fina são fracos.
O vislumbre róseo no horizonte longínquo acena promissoramente. Despertando esperanças anima à movimentação mais vivaz. Na ânsia de atingir esse vislumbre, os corpos de matéria fina se revigoram cada vez mais, em seus olhos surge a expressão de mais forte conscientização e, cada vez mais firmes, caminham naquela direcção.
Caminhamos juntos. O número de almas em nosso redor aumenta, tudo se torna mais móvel e mais nítido, o falar se torna mais alto, aumentando a um forte murmúrio de cujas palavras depreendemos que os que avançam proferem orações incessantemente e de modo apressado como que em estado febril. As massas tornam-se cada vez mais densas, o avançar transforma-se num empurrar, grupos se aglomeram diante de nós, são compelidos para trás pelos dianteiros para novamente avançar. Assim vai um ondular sobre as massas aglomeradas, das orações sobressaem gritos de desespero, palavras de angustioso medo, de tímidas exigências e, aqui e acolá, outrossim, sufocado lamentar de extrema desesperança!
Passamos rapidamente por cima da luta de milhões de almas e vemos que diante delas se encontra de modo rígido e frio um obstáculo ao prosseguimento, contra o qual investem em vão, banhando-se inutilmente em lágrimas.
Grandes e fortes barras mui próximas umas das outras impõem de modo inexorável uma parada ao seu avanço! E mais forte clareia o róseo vislumbre no horizonte, mais ansiosos se arregalam os olhos daqueles que o escolheram como alvo. Suplicantes são estendidas as mãos que, convulsivamente, ainda se agarram aos rosários, deixando correr por entre os dedos as contas uma após outra, balbuciando! As barras, porém, permanecem inabaláveis, rígidas, separadoras do belo alvo!
Passamos por densas filas. É como se não tivessem fim. Não centenas de milhares, mas milhões! São todos aqueles que na Terra se julgaram deveras “fiéis”. Quão diferentes haviam imaginado tudo! Julgavam que seriam aguardados de modo alegre, respeitosamente cumprimentados.


Bradai-lhes: “De que vos valem, fiéis, as vossas preces se não deixardes tornar acção, naturalidade, em vós próprios, a Palavra do Senhor! Esse vislumbre róseo no horizonte distante é o anseio pelo reino de Deus, que arde dentro de vós! Tendes dentro de vós o anseio para tanto, mas apenas impedistes vós o caminho para lá com hirtas formas de acepções falsas, as quais vedes agora diante de vós como barras impedindo igual a uma grade! Deixai cair o que acumulastes de acepções erróneas durante a existência terrena, aquilo que vós próprios ainda erigistes! Lançai fora tudo, e ousai levantar o pé livremente em prol da verdade como realmente ela é em sua grande e singela naturalidade! Então estareis livres para o alvo do vosso anseio!
Mas, vede, não tendes a coragem indispensável pelo constante medo, poderia estar errado talvez o que assim fazeis, porque até aqui pensáveis diferentemente! Com isso vos estorvais a vós próprios e tereis de permanecer onde estais até ser demasiado tarde para o prosseguimento e terdes de recair junto à destruição! Nisso nada vos poderá ser auxiliado se vós próprios não começardes a deixar o errado atrás de vós!”
(…)
A palavra: “Desperta!” Que Cristo empregou com frequência quer dizer: “Vivencia!”. Não passes pela existência terrena dormindo ou sonhando. “Ora e trabalha” significa: “Faz do teu trabalho uma oração!” Espiritualiza aquilo que crias com tuas mãos! Cada trabalho em sua execução deve tornar-se uma adoração respeitosa a Deus como agradecimento pela dádiva que Deus te outorgou de realizar algo de extraordinário entre todas as criaturas deste Após-Criação, bastando que o queiras!
Principia em tempo o despertar, o vivenciar em si de tudo, o que equivale a sentir intuitivamente de modo consciente, inclusive o que lês e ouves, para que não devas permanecer no país da penumbra, do qual hoje esclareci apenas uma bem pequena parte.

Abdruschin

Excerto da Dissertação, No País da Penumbra, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.
Esta dissertação pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.

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