Muitas vezes as pessoas ficam admiradas ante os atos instintivos dos animais. Atribuem aos animais um sentido especial, que aos seres humanos falta por completo ou que eles deixaram que se atrofiasse.Aos seres humanos é inexplicável quando, por exemplo, observam que um cavalo, um cão ou qualquer outro animal, habituado talvez a percorrer diariamente um caminho, de repente em determinado lugar se recusa a prosseguir, e eis que eles vêm a saber que logo depois, exactamente naquele lugar, ocorrera um desastre.
Deste modo a vida, de uma ou mais pessoas foi muitas vezes salva. Há tantos desses casos, conhecidos em geral por todos, que não é especialmente necessário entrar aqui em pormenores.
A humanidade cognominou instinto, pressentimento inconsciente, a essas qualidades do animal. Tão logo ela tenha um nome para uma coisa, geralmente já se dá por satisfeita, forma qualquer ideia a respeito e se contenta com isso, pouco importa se seu pensar sobre isso seja certo ou não. Assim, inclusive aqui.
O motivo para tais ações do animal é, no entanto, totalmente outro. O animal não possui a propriedade e nem a capacidade daquilo que o ser humano entende por instinto! Nesses acontecimentos apenas obedece a uma advertência que lhe é dada. Essas advertências o animal consegue divisar muito bem, ao passo que apenas por poucas pessoas elas podem ser notadas.
Conforme já esclareci em anterior prelecção, a alma animal não provém do espiritual, como a criatura humana, mas do enteal. Da parte enteal da Criação se originam também os seres elementares: gnomos, elfos ondinas etc., que têm sua atuação naquela parte que os seres humanos sempre chamam natureza, portanto, água, ar, terra, fogo. Bem como aqueles que se ocupam com o desenvolvimento e o crescer das pedras, das plantas e de outros mais. As almas dos animais provêm de um sector diferente da dos enteais. Todavia, a sua mútua e congénita igual espécie de origem, acarreta possibilidade de maior reconhecimento entre os dois, de forma que um animal deve reconhecer absolutamente melhor essas criaturas enteais do que o ser humano o conseguiria, cuja origem se acha no espiritual.
Os seres elementares sabem, pois, muito bem onde e quando ocorrerá uma alteração na natureza, tais como desmoronamentos, avalanches, queda de uma árvore, o ceder do solo motivado pela acção erosiva das águas, rutura de diques, rompimento de águas, erupções vulcânicas, maré alta, terramotos e tudo o mais que a isso pertença, uma vez que eles próprios se ocupam com isso preparando e realizando tais alterações, as quais os seres humanos denominam desastres e catástrofes.
Se é de esperar um tal acontecimento imediatamente, pode suceder que um animal ou uma pessoa que se aproxime, seja advertido por esses seres elementares. Se antepõem no caminho procurando, por meio de gritos e gesticulações, ou mesmo por repentinas impressões sobre os sentidos, provocar o retorno; o animal se assusta, eriça o pêlo, recusa-se energicamente a prosseguir, contrariando completamente o seu costume normal, de modo que, frequentemente, mesmo o animal mais bem adestrado nega, excepcionalmente, obediência ao seu dono. Esse o motivo do estranho comportamento do animal em tais casos. Mas o ser humano não vê esses seres elementares e por isso segue, muitas vezes, ao encontro do perigo, no qual perece ou fica gravemente ferido.
Portanto, o ser humano devia observar mais os animais, a fim de aprender a compreendê-los. Tornar-se-á então o animal deveras amigo da criatura humana; pois, consegue preencher lacunas e com isso se tornar ainda muito mais prestativo ao ser humano do que até agora.
Abdruschin
Dissertação, Instinto dos Animais, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.
Esta dissertação pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.
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