Deus não é fruto da filosofia do homem, mas o homem é fruto da Vontade de Deus!

Sábado, 20 de Agosto de 2011

O Ósculo da Amizade

Muito se tem falado nisso no mundo todo. Em poesias o ósculo da amizade tem sido embelezado e erguido bem alto nos mundos de pensamentos. Tudo isso, porém, apenas é uma configuração da fantasia que se distancia muito do solo da naturalidade.
É um manto bonito que o próprio ser humano terrestre, como em tantas coisas, confeccionou para nele admirar a si ou a outrem. Entretanto, admiração é absolutamente inadequada; pois, na realidade é hipocrisia, nada mais. Uma tentativa vergonhosa de alterar as leis da Criação, desviá-las, privá-las de sua maravilhosa e simples naturalidade de modo deformador!
Certamente diversa é muitas vezes a intenção de um beijo, isso porém não modifica em nada o facto de cada beijo ser sempre um beijo, portanto um contato de teor corporal que, naturalmente, provoca um sentimento que jamais poderá ser diferente do que apenas corporal! Quem conhece a minha Mensagem já o sabe. O ser humano não deve se encobrir sempre de covardia assim, pelo contrário, deve sempre estar consciente disso de modo bem claro! Um hipócrita é ainda pior do que um criminoso!
A expressão “ósculo da amizade” já pressupõe, bem determinantemente, a época de maturidade.
O beijo entre dois sexos na idade adulta, mesmo com intencionada pureza, está sujeito às vibrantes leis primordiais da Criação! Ridículas são nisso as evasivas. A criatura humana sabe muito bem que as leis da natureza não indagam a sua opinião. O beijo do amigo, do irmão, do pai a uma jovem amadurecida ou a uma senhora, continua sempre, apesar da mais forte auto ilusão, um beijo entre dois sexos, não diferentemente o beijo da mãe para o filho tão logo este tenha a idade de maturidade. As leis da natureza não conhecem nem concedem nisso qualquer diferença. Por isso, cada pessoa deve conservar muito maior reserva.
Só a mania do ser humano querer adaptar as leis da natureza aos seus desejos estabelece ideias tão contrárias às leis naturais como os ósculos da amizade, bem como as carícias entre parentes e os inúmeros excessos que há nisso. Sob o manto da maior hipocrisia o ser humano muitas vezes procura pecar até intencionalmente!
Nada se altera no facto de tais contrariedades, às leis da natureza, só porque muitas pessoas se consideram inocentes nessas transgressões, imaginando-se estar aí completamente puras! É e continua sendo uma desfiguração das mais puras leis da natureza, quando estas devam ser despidas de sua bela simplicidade por erróneas interpretações! E aí só se origina, sempre, algo mórbido, porque cada abuso e cada desvio só desvaloriza o originalmente sadio que se acha na lei, conspurcando e rebaixando!
Fora, portanto, com esta hipocrisia! Honrai finalmente as leis da natureza em sua grandiosidade simples e por isso mesmo sublime, conforme elas realmente são! Sintonizai-vos nelas e vivei de acordo com as mesmas, orientai assim vosso pensar também, vosso atuar, vossos costumes, dentro e fora de vossas famílias, tornai-vos, portanto, naturais no mais puro sentido, então sereis felizes! A vida mórbida, assim, fugirá de vós. Estabelecer-se-á recíproca sinceridade entre vós, e muitas inúteis lutas de alma vos serão poupadas, uma vez que só resultam de tais erróneas ilusões para, frequentemente, vos atormentar e molestar durante toda a vida terrena!
O mórbido dessas brincadeiras nocivas, dessas carícias falsas que apresentam, sem exceção, bases puramente de matéria grosseira, vede vós próprios, de modo mais nítido, em crianças imaturas e ingénuas de tenra idade. Crianças que são excessivamente cobertas de carícias pelos parentes, digamos simplesmente, “importunadas”, têm sempre aspeto doentio. Outrossim, quase toda a criança manifesta, segundo o sentimento intuitivo, uma aversão contra tais carinhos importunos, jamais vontade, porque a criança é na realidade “ingénua de modo natural”! De início precisa sempre ser ensinada para suportar e corresponder aos carinhos!
O ensinamento para tal, no entanto, apenas é desejo de adultos que, devido à maturidade de seu corpo de matéria grosseira, sentem de modo instintivo a necessidade para tal! A criança não! Tudo isso fala bastante claro da perigosa violação a que uma criança é criminosamente submetida! Contudo, pouco a pouco, finalmente, ela se habitua nisso e, por hábito, sente necessidade disso depois, até que o próprio corpo, em amadurecimento, desperte no instinto!
É vergonhoso que a humanidade procure acobertar repetidamente sua concupiscência e própria fraqueza com hipocrisias! Ou comete aí atos impensados.
O ser humano deve saber que o legítimo amor, só vem da alma! E tudo o mais é apenas instinto! O amor da alma, porém, não tem nada que ver com o corpo de matéria grosseira, e nem exige, uma vez que a separação de todas as espécies da Criação permanece sempre perfeita. Espiritual é espiritual, anímico é anímico e, corporal permanece sempre exclusivamente corporal!
Com a morte do corpo não morrerá um só átomo da alma. Isso mostra com toda a simplicidade que cada um existe por si só, não ocorrendo qualquer mistura.
Um beijo cheio de alma, por exemplo, existe apenas na imaginação porque qualquer beijo é e permanece, exclusivamente, um ato de matéria grosseira. O que, animicamente, a pessoa sente aí de modo intuitivo, é coisa inteiramente à parte.
O amor da alma caminha ao lado do instinto corporal, e não com ele nem dentro dele.
Qualquer outra imaginação é uma grosseira auto ilusão, por não corresponder às leis da natureza. Apenas o intelecto aí inventou heterogeneidades para desculpa própria a fim de visar uma nova caricatura para a mutilação da verdade que, em forma pura, devia levar as criaturas humanas ao despertar, ao reconhecimento, e com isso, à pureza e à veracidade de suas ideias e, por fim, à ascensão na direcção da Luz.
Ó ser humano, tem finalmente a coragem de ser verídico em tudo quanto fazes! Também no beijo. Rompe as configurações enganadoras que a tua vaidade e a concupiscência te criaram! Desperta!

Abdruschin
Dissertação, O Ósculo da Amizade, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.

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