“Ninguém é mau por natureza, mas sim por formação.”
Alma Lusa
Quando as pessoas perguntam a si próprias como podem educar, de modo certo, a seus filhos, elas devem observar, em primeiro lugar, a criança e se orientarem correspondentemente. Desejos próprios do educador devem aí ser completamente postos de lado. A criança deve seguir o seu caminho na Terra e não o caminho do educador.
Bem-intencionado é um educador quando deseja, de bom grado, colocar á disposição de seu filho, para seu proveito, aquelas experiências que ele próprio tivera que colher em sua vida terrena. Quer muito poupar à criança decepções, perdas e dores. Contudo, na maioria dos casos, não consegue muito com isso.
Há-de reconhecer, por fim, que todos os seus esforços nisso e sua boa vontade foram totalmente em vão; pois, a criança, em seu desenvolvimento, segue, de súbito, e de modo inesperado, em determinado tempo, seu próprio caminho, esquecendo-se ou desprezando todas as exortações nas decisões para si mesma importantes.
A tristeza do educador a tal respeito não é justificada; pois, em sua boa vontade, ele nem levou em consideração que a criança que ele queria educar não há-de seguir, absolutamente, um caminho idêntico ao dele se ela quiser cumprir direito a finalidade de sua existência nesta Terra.
Todas as experiências que o educador pode ou teve antes que vivenciar em si próprio, elas lhe eram destinadas e a ele necessário, tendo, também por isso, trazido proveitos somente ao educador, se ele tiver sido capaz de assimilá-las de modo correcto.
Esse vivenciar do educador, contudo, não pode trazer à criança o mesmo proveito, visto que o seu espírito, por sua vez tem de vivenciar algo completamente diferente para o seu desenvolvimento, conforme os fios de destino que com ela estão entretecidos.
Nem sequer dois, dentre os muitos seres humanos na Terra, têm caminhos idênticos que os possa beneficiar para a maturação de seus espíritos!
Por isso, as experiências de uma pessoa não adiantam espiritualmente a uma segunda. E sa uma criatura humana trilhar, imitando com exactidão, o caminho de outrem, terá malbaratado sua própria existência terrena!
Deveis apenas preparar o instrumento para a criança, até o seu amadurecimento, do qual ela necessita para a sua vida terrena, nada mais. Isto é, o corpo terreno com todos os seus organismos de matéria grosseira.
Atentai aí com todo o cuidado de não torcê-lo ou até torná-lo completamente imprestável por exagero ou unilateralidade! Ao lado das necessárias capacitações de movimento, o ensino para a actividade certa de seus cérebros representa um papel importante. A primeira fase educacional termina quando a maturidade se inicia, e só então é que deve seguir a segunda, a qual deve ensinar o espírito a dominar certo o corpo todo.
Os filhos desses seres humanos terrenos, até os anos de seu amadurecimento, quando então o espírito eclode sentem, intuitiva e predominantemente, apenas de modo enteal. Evidente que interiormente, já estão encandecidos pelo espírito. Isto é, não por acaso somente como um animal nobre em seu máximo desenvolvimento, mas muito mais até, contudo, ainda é predominante aí o que é enteal e, por isso, determinante. Cada educador há de manter isto incondicionalmente em vista, e nesse sentido por conseguinte a base da educação deve ser orientada, severamente, a fim de garantir perfeito êxito sem prejuízos para a criança. A criança deve primeiramente obter plena compreensão do grande atuar de tudo quanto é enteal, já que nessa época, ela se acha ainda mais aberta para o enteal do que para o espiritual. Assim abrir-se-ão com alegria pura os seus olhos para as belezas da natureza que vê em seu redor.
As águas, montanhas, bosques, campinas, flores bem como os animais, tornam-se então familiares a cada criança, e ela ficará solidamente ancorada no mundo, o qual deve oferecer-lhe, para sua existência terrena, o campo de atuação. A criança, então, estará totalmente firme e plenamente consciente na natureza, em toda a atuação dos enteais, compreensiva, assim bem preparada e disposta para atuar com o seu espírito, elevando e beneficiando ainda, outrossim, tudo aquilo que estiver em sua volta como um grande jardim! Só assim pode tornar-se legitimo jardineiro na Criação.
Desta forma e não de outra deve estar cada criança em seu desenvolvimento, para quando seu espírito desabrochar. Sadia de corpo e alma! Desenvolvida de modo alegre e preparada naquele solo ao qual cada criança pertence.
(…)
Cuidai-vos disso, pais e educadores; pois é crime contra as leis de Deus! Deixai as crianças permanecerem crianças! Crianças que sabem que necessitam a protecção de todos os adultos.
O dever de um adulto é apenas proteger as crianças, protecção que é capaz de dar e que também tem que proporcionar quando a criança a merece.
A criança em sua espécie enteal, sente intuitivamente muito bem que necessita da protecção dos adultos, e por isso os olha, os respeita voluntariamente como retribuição, o que encerra em si a necessidade de se apoiar, se vós próprios não destruirdes essa lei da natureza.
E vós a destruís, na maioria dos casos! Despojais cada criança de seus sentimentos intuitivos bem naturais, através do vosso modo errado que aplicais em relação às crianças, muitas vezes, para satisfação própria porque, em grande parte, a criança vos é um brinquedo querido com o qual quereis alegrar-vos, que prematuramente procurais torna-la mentalmente precoce para poderdes ficar orgulhosos disso!
Mas nada disso é de proveito para a criança, pelo contrário somente prejudica. Vós tendes já nos primeiros anos, na fase da adolescência, a qual pertence a primeira parte do seu desenvolvimento, que cumprir mais sérias obrigações em relação à criança! Não vossos desejos devem ser decisivos, porém, somente as leis da Criação! Estas, porém, condicionam que deixe cada criança ser criança, em todas as coisas!
O ser humano que foi realmente criança se mostrará também mais tarde de pleno valor como adulto. Mas somente assim! E uma criança normal se faz reconhecer já pelo facto de possuir, perante os adultos, o legitimo respeito em seu próprio sentimento intuitivo, a qual nisso corresponde exactamente a lei da natureza!
(…)
O novo Reino, o Reino de Deus sobre a Terra, criará o equilíbrio e, com isso, uma nova raça! Mas, primeiramente, terá que forçar com violência o verdadeiro conceito de equilíbrio, antes que possa ser compreendido. Forçar pela transformação de todo o torcido a que, já agora, se processa pela auto exaustão de todo o falso e malsão, impulsionado para isso pelo invencível poder e força da Luz! Seguir-se-á então a dádiva da verdadeira compreensão de todas as leis primordiais da Criação. Esforçai-vos por compreendê-las direito desde já e estareis, então, certos na Criação! O que, por sua vez, só felicidade e paz, como consequência, para vós haverá.
Abdruschin
Excerto da Dissertação, A Criança, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.
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