Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h)
Local: A nossa consciência
Uma forte pressão pesa sobre toda a feminilidade terrena, desde que foi difundida a ilusória opinião de que o principal destino de uma mulher seria a maternidade. Muitas pessoas, com falsa compaixão e, frequentemente, com velada e maliciosa alegria até, olham para as moças que não se casam e, igualmente, para as senhoras que ficam sem filhos no matrimónio. A expressão “solteirona”, que na realidade é um título honroso, é muitas vezes pronunciada com leve zombaria, com um lastimoso encolher de ombros como se o matrimónio fosse, para a mulher terrena, a mais alta de suas finalidades, sim, seu destino até.
Que esse falso conceito haja se difundido e alojado por milénios, de modo tão nocivo, faz parte das principais conquistas de Lúcifer que, com isso, visava a degradação da feminilidade aplicando o golpe mais duro à verdadeira essência humana. Pois, olhai em redor! As danosas excrescências dessa conceituação falsa orientaram, de antemão, o sentido dos pais e das moças, em linha bem reta, para o sustento terrenal por meio de um matrimónio! Tudo converge para aí.
Já a educação, todos os pensamentos, as conversas, as ações, desde os dias da infância de cada moça até à maturidade. Depois, se busca a oportunidade ou, onde isso não se consegue, se estabelece à força a fim de que se travem conhecimentos com objectivo final de um casamento!
Literalmente, é inculcado na moça de que passará pela vida sem alegria se não puder andar ao lado de um homem! De que, de outro modo, jamais seria levada a sério.
Para onde olhe uma criança do sexo feminino, ela vê as glorificações do amor terreno como alvo supremo da felicidade de ser mãe! Assim se cria a ideia, artificialmente imposta, de que cada jovem que não se casa é digna de lástima e tem a sua existência terrena perdida em parte! Todo esse modo de pensar e de intentar é orientado nesse sentido, literalmente, inoculado na carne e no sangue desde o momento do nascimento. Tudo isso, porém, é obra bem hábil de Lúcifer objectivando a degradação da feminilidade humana.
E essa degradação há de ser agora tirada dessa feminilidade terrena, se é que ela deva elevar-se!
Somente dos escombros dessa ilusória opinião de até agora, é que pode resultar o elevado, o puro! A nobre feminilidade, desejada por Deus, não conseguiu se desenvolver sob essa investida de Lúcifer, a mais ardilosa, contra os espíritos humanos que, todos, desde o início, poderiam ter se esforçado apenas rumo à Luz, se tivessem eles obedecido, firmemente, as leis primordiais da Criação, deixando-se guiar por elas.
Tornai-vos, finalmente, espirituais, ó criaturas humanas; pois, sois do espírito! Reconhecei e sede também suficientemente fortes para assimilar que a felicidade maternal, tida como a suprema meta da feminilidade terrena e o seu mais sagrado destino, tem suas raízes apenas no enteal! A finalidade mais sagrada da mulher humana, no entanto, está muito mais elevada, está no espírito!
(…)
A feminilidade não pode cumprir sua missão na Terra com vaidade, que sempre condiciona a impudência, mas, com a graça, que só a ela é outorgada como a mais bela dádiva do espírito!
Cada expressão do rosto, cada movimento, cada palavra deve trazer, na feminilidade, o cunho de sua nobreza de alma! Nisso reside sua missão e também seu poder e a sua grandeza!
Instruí-vos nisso, deixai-vos aconselhar, deixai que se torne legítimo o que agora procurais substituir pela baixa vaidade!
A graciosidade é o vosso poder terreno e dela deveis cuidar e utilizar. Mas, não se pode imaginar graciosidade sem pureza! Já o nome sozinho dirige esse conceito, os pensamentos e o sentido para a pureza e para as alturas, atuando de modo dominador, intangível e elevado! A graciosidade faz a mulher!
Só ela traz em si a verdadeira beleza para cada idade, para cada forma corpórea; pois, torna tudo belo, visto ser a manifestação de um espírito límpido, no qual se encontra a sua origem! A graciosidade não deve ser confundida, por isso, com a flexibilidade que se origina do enteal.
Assim deveis e tereis que ser na Criação!
Tornai-vos, por isso, espiritualmente livres em vós, mulheres e vós moças! A mulher que apenas quer viver como mãe em sua existência terrena malogrou em sua finalidade, propriamente dita, e em sua missão.
Abdruschin
Excerto da Dissertação, A Missão da Feminilidade Humana, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.
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