A criatura humana usa o seu invólucro terreno, de que necessita para o amadurecimento de seu espírito na matéria grosseira, com irresponsável negligência e falta de compreensão. Enquanto não sente dores, negligência a dádiva que com isso recebeu e nem pensa em dar ao corpo o que este necessita, antes de tudo, o que lhe é útil. Só presta atenção ao seu corpo sempre depois que o prejudicou, sentindo por isso dores; ou então quando por ele for impedido de alguma forma em seus trabalhos diários, no exercício de tantos divertimentos ou passatempos.
Ingere, sim, alimentos e bebidas mas, impensadamente, e com frequência em excesso assim como lhe pareça agradável, totalmente despreocupado de que está prejudicando o seu corpo.
Pessoa alguma se lembra de observar cuidadosamente o físico, enquanto este não sente alguma dor. Mas, exactamente, a observação do corpo sadio é uma necessidade urgente.
O ser humano deve dar ao corpo sadio aquilo de que ele precisa, deve observá-lo com todo o cuidado que se dá à ferramenta, a mais indispensável, para a atuação acertada nesta matéria grosseira. Sim! É, pois, o bem mais precioso que cada ser humano recebeu, para o seu estágio na Terra.
(…)
Para onde olhardes de modo perscrutador tereis que reconhecer que o ser humano ainda nada sabe das Leis da Criação.
Não tem ideia alguma de qual a responsabilidade a ser incondicionalmente assumida por ele com referência ao corpo terreno a ele confiado! Nem vê o valor do corpo terreno quanto à posição na Criação, ao contrário, dirige seu olhar apenas para cá, para esta Terra. Contudo, para a Terra, a importância do seu corpo terreno é apenas uma parte mínima!
E essa ignorância das leis da Criação permitiu imiscuir erros que, reproduzindo-se, prejudicam muitas pessoas. Perpassam contaminando tudo!
Por isso pode acontecer que, mesmo em todas as igrejas de até agora, tenha encontrado entrada a insensata acepção de que o sofrimento, por sacrifício e holocausto, seja bem visto por Deus sob certas circunstâncias! Inclusive na arte essa concepção errónea se ancorou profundamente; pois, nela esta ideia encontra muitas vezes a glorificação de que uma pessoa poderia trazer “libertação” a outra mediante voluntário holocausto ou morte por amor!
Isto apenas confundiu essa humanidade ainda mais.
A lei de Deus, porém, em sua justiça infalível, não permite que alguém possa assumir a culpa de outrem. Tal ato apenas deita uma culpa sobre aquele que se sacrifica, que assim força o abreviamento de sua existência terrena. A isso se acrescenta ainda a ilusão da alma em realizar, com isso, algo de grande e agradável Deus. Aquele que se sacrifica se torna assim duplamente culpado na presunção de poder libertar um outro de seus pecados. Teria agido melhor, sim, se implorasse perdão para si, sozinho, como grande pecador perante o Senhor; pois daquele modo ele designa o seu Deus de juiz injusto, que seria capaz de um tal ato arbitrário, permitindo-se mercadejar consigo.
Isto, na realidade, é ainda por cima uma blasfémia! Portanto, eis uma terceira culpa com tal ato que, brusca e categoricamente, contraria todo o sentimento intuitivo de justiça.
É uma auto presunção, e não amor puro que leva a atos dessa espécie! No Além as almas vêem rapidamente a diferença, quando têm de sofrer sob as consequências que os seus atos acarretam ao passo que para o outro isso nada adiantou e se ele ciente esperava dessa maneira ser ajudado, sobrecarregar-se-á ainda mais.
(…)
O corpo terreno está ligado com aquela parte da Terra onde nasceu! Intimamente ligado também com todas as estrelas dessa bem determinada parte e com todas as irradiações que a ela pertencem. De maneira ampla, muito mais do que podeis pensar! Somente aquela parte desta Terra dá ao corpo exactamente aquilo de que ele precisa a fim de florescer direito e permanecer vigoroso. E a terra produz em suas regiões determinadas, sempre em tempo certo, aquilo que todos os corpos de matéria grosseira necessitam, os que nasceram nessa bem determinada região! Ervas e frutos atuam, por isso, de forma melhor sobre o corpo humano, de modo vantajoso e edificante, naquela época em que a terra as produz!
O corpo precisa tal alimentação naquelas épocas e naquela região onde nasceu com a qual fica permanentemente ligado.
Morangos no tempo do amadurecimento dos morangos, maçãs no tempo da colheita das maçãs e assim por diante! Assim é com todas as frutas, com todas as ervas. Por isso o tratamento pelas ervas é vantajoso no tempo em que as ervas se acham em plena viçosidade. Também para os corpos sadios!
O próprio enteal aí oferece ao corpo terreno variação na alimentação, permanentemente, assim como realmente necessita! Assim como o sol, a chuva e o vento, é o melhor para a atuação sadia da pele! A Criação dá ao ser humano tudo quanto ele necessita para o seu corpo terreno e ela dá também com a variação certa e no tempo certo!
Com todos os artifícios extras não pode o ser humano obter nunca aquilo que a Criação lhe proporciona espontaneamente!
Atentai nisso! Aqui na Terra o corpo terreno está estritamente ligado àquela região onde se acha o lugar do seu nascimento! Se é que deva ficar sadio numa região alheia, também, conservar o vigor pleno para atuar na Terra, deverá prevalecer como base de alimentação de seu corpo somente aquela da região onde nasceu.
Com atenção pode, então, criar-se uma ponte que lhe proporcione por algum tempo eficiência completa mas, nunca, permanentemente! Tem que voltar, de vez em quando, a fim de buscar novas energias! Mas, apesar de tudo, encurtará a sua vida terrena!
Não é arbitrariedade ou por acaso, que as criaturas humanas terrenas são de estrutura e cor do corpo diferentes.
As leis primordiais da Criação já as colocam em bem determinado lugar que unicamente serve para a sua maturação terrestre! E os aparelham correspondentemente.
O
enteal forma para vós vossos corpos terrenos e, ao mesmo tempo alimentação para sustento! Mas somente produz efeito, de modo uniforme, na determinada região e no determinado continente! Convosco, criaturas humanas, nisso não se passa de modo diferente de como com as plantas e com os animais; pois, também vós sois um fruto da Criação, sois apenas criatura que está e permanece ligada estreitamente à região e às irradiações daquele continente onde ela se originou.
Por isso, observai e aprendei em cada atuação da Criação! É vosso dever obedecer às leis primordiais da Criação, quando quiserdes conseguir o que vos serve para proveito e para ascensão!
Abdruschin
Excerto da Dissertação O Corpo Terreno, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.
Esta dissertação (Pág. 89) pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.
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