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Sábado, 12 de Novembro de 2011

Dever e Fidelidade

O cumprimento do dever foi sempre considerado como a virtude máxima de um ser humano. Ocupava em todos os povos um nível mais alto do que tudo mais, mais alto ainda do que a própria vida. Foi de tal modo apreciada que conservou até o primeiro lugar mesmo entre os seres humanos do intelecto, aos quais, por fim, nada era mais sagrado do que o próprio intelecto, a que se submeteram como escravos. A consciência do indispensável cumprimento do dever permaneceu, e nem o domínio do intelecto podia intervir nisso. As trevas, porém, descobriram um ponto de ataque e roeram a raiz. Também nisto, como em tudo, modificaram o conceito. Ficou a ideia do cumprimento do dever, porém, os próprios deveres foram estabelecidos pelo intelecto tornando-se, assim, presos à Terra, portanto, uma obra imperfeita e incompleta. É, portanto, apenas evidente que muitas vezes uma pessoa de sentimento intuitivo não possa reconhecer como certos, determinados deveres a ela atribuídos. Chega a um dilema consigo mesma. O cumprimento do dever é considerado também para ela como uma das leis mais altas que uma pessoa deve cumprir e, não obstante, tem ao mesmo tempo que dizer a si mesma que cumprindo os deveres que lhe são impostos age às vezes contra sua própria convicção.

A consequência disso é que, não só no íntimo da pessoa que assim se aflige, mas também no mundo da matéria fina surgem, devido a essa circunstância, formas que causam descontentamento e discórdias também aos outros. E devido a isso espalha-se em círculos amplíssimos uma mania à crítica e ao descontentamento cuja causa propriamente dita ninguém é capaz de encontrar. Não é de reconhecer porque o efeito provém da matéria fina, através de formas vivas que uma pessoa de sentimento intuitivo cria na discordância entre o seu anseio para o cumprimento do dever e o de seguir o anseio diferente de sua intuição. Aqui, pois, tem que ocorrer uma modificação a fim de acabar com esse mal. Dever e convicção íntima devem sempre estar de acordo um com o outro. É errado um ser humano entregar a vida no cumprimento de um dever que ele intimamente não pode reconhecer como certo! Somente na harmonia entre a convicção e o dever, cada sacrifício ganha realmente valor. Mas, se a criatura humana empenha a sua vida no cumprimento de um dever, sem convicção, se rebaixa então a um soldado mercenário que luta a serviço de outrem por causa de dinheiro. Assim, tal maneira de lutar se torna assassínio!

Mas se alguém empenha sua vida por convicção, então possui mesmo real amor pela causa pela qual resolveu voluntariamente lutar. E somente isso tem para ele alto valor! Deve fazê-lo por amor. Por amor à causa! Dessa forma também o dever que ele assim cumpre se tornará vivo e elevado tão alto, a ponto de pôr o cumprimento deste acima de tudo. Separa-se assim automaticamente o morto e hirto cumprimento do dever do vivo. E, só o que é vivo tem valor e efeito espiritual. Tudo o mais pode servir apenas a finalidades terrenas e intelectivas, trazendo-lhes vantagens, nem por isso permanentemente, mas tão só de modo passageiro, uma vez que só o que é vivo consegue existência permanente.

Dessa maneira o cumprimento do dever por convicção se torna legítima fidelidade, de arbítrio próprio e algo evidente a quem o exerce. Não pretende e nem pode agir de modo diferente, nem pode aí tropeçar e nem cair; pois, a fidelidade lhe é legítima, está intimamente ligada a ele, sim, uma parte dele a qual não é capaz de pôr de lado. Obediência cega, cumprimento cego do dever é, portanto, de tão pouco valor como crença cega! A ambas falta a vida, porque nelas falta o amor! Somente nisso é que o ser humano reconhece logo a diferença entre a legítima consciência do dever e o senso do dever tão só cultivado. Um, resulta do sentimento intuitivo, o outro, se compreende através do intelecto. Amor e dever não podem nunca estar em oposição pois são uma só coisa, onde sejam intuitivamente sentidos de maneira real, florescendo daí a fidelidade.

Onde falta o amor também não há vida, ali tudo está morto. A tal respeito Cristo já se referira muitas vezes. Está nas leis primordiais da Criação, por isso universal, sem exceções. O cumprimento do dever que brota de uma alma humana espontâneo e radioso, e aquele que é feito por uma recompensa terrenal, jamais poderão ser confundidos um com o outro, ao contrário, são fáceis de reconhecer. Deixai, portanto, a legítima fidelidade surgir em vós ou permanecei afastados dali onde não puderdes manter a fidelidade.
(…)

Abdruschin

Excerto da Dissertação, Dever e Fidelidade, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.

Esta dissertação (Pág. 126) pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.

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