Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h)
Local: A nossa consciência
Disse-vos: “Permitido vos é peregrinar através das Criações pela vossa vontade tornando-vos conscientes, contudo não deveis causar sofrimento algum a outrem, a fim de satisfazer com isso a própria cobiça.”
Não existe nada na Criação que não possais usufruir, no sentido que a Criação vos proporciona, isto é, para a idêntica finalidade para o que foi desenvolvida. Mas em muitas coisas não conheceis as finalidades específicas cometendo o erro de muitos exageros que devem acarretar dano ao invés de proveito.
Assim tantas vezes o querer experimentar, o querer conhecer e o usufruir se tornam, crescendo, em pendor que, por fim, vos mantém agrilhoados escravizando, rapidamente, a livre vontade de modo que vos tornais, por vós próprios, servos ao invés de senhores!
Nunca permitais vos subjugar pelos prazeres, antes tomai apenas aquilo que é necessário na vida terrena para a manutenção dos bens confiados a vós e ao seu desenvolvimento. Com o exagero impedis qualquer desenvolvimento, não importa tratar-se aí do corpo ou da alma. Impedis pelo exagero da mesma forma como pela omissão ou negligência; estorvais o grande desenvolver desejado por Deus! Tudo quanto quiserdes contrapor a esses erros na melhor boa vontade para equilibrar, para reparar, permanece apenas serviço de conserto deixando pontos remendados de feia apresentação e que jamais podem ter o aspeto de uma obra uniforme e sem remendos.
Na realização da promessa: “Tudo deve se tornar novo”, não se acha o sentido de transformação, mas de uma nova formação após o desmoronamento de tudo quanto o espírito humano entortou e envenenou. E, visto nada existir que o ser humano em sua arrogância, ainda não tenha tocado nem envenenado, tudo tem que ruir para então se tornar novo, mas não segundo a vontade humana, como até agora, mas segundo a Vontade de Deus que nunca foi ainda compreendida pela alma humana corrompida pela vontade egocêntrica.
A humanidade tocou em tudo quanto a vontade de Deus criou, todavia não reconheceu, conforme teria sido a obrigação de cada espírito humano. Tocou prepotentemente, considerando-se mestre e com isso apenas desvalorizou e conspurcou toda a pureza.
Que sabe afinal o ser humano sobre o conceito da pureza!
Que tem ele feito injuriosamente e de modo mesquinho da ilimitada excelsitude da verdadeira pureza! Turvou esse conceito, falsificou-o, arrastou-o às suas profundezas de sujo cobiçar, onde não conhece mais o sentimento intuitivo do seu espírito seguindo, exclusivamente, os limites estreitos do sentimento criado pelo seu intelecto por efeito retroativo do seu próprio pensar. Mas o sentimento terá que se tornar puro no futuro!
Sentimento é, diante do sentimento intuitivo, aquilo que o intelecto deve se tornar para com o espírito: um instrumento para a atuação na vida da matéria grosseira! Hoje, porém, o sentimento está sendo degradado e rebaixado a instrumento do intelecto e com isso desonrado. Assim como o pecado hereditário de um domínio do intelecto já foi rebaixado e algemado, o qual tem o sentimento intuitivo como expressão de sua atuação, assim, o sentimento mais grosseiro produzido pelo intelecto teve que, simultânea e automaticamente, triunfar sobre a pureza do sentimento intuitivo espiritual subjugando esse e intercetando-lhe uma possibilidade de atuação bem salutar na Criação.
(…)
E se eu ainda vos disser: “Uma pessoa nunca deve conviver com uma outra a quem não pode prezar!” Então tereis para vossa existência terrena aquilo para poder permanecer livre de carma. Tomai isto como fundamento em vosso caminho.
Contudo, para poder subir deve existir em vós o anseio, pelo límpido e luminoso reino de Deus! O anseio para isso soergue o espírito! Por conseguinte, pensai permanentemente em Deus e em Sua Vontade! Contudo, não formeis disso uma imagem! Teria que ser errada porque o espírito humano não pode conceber o conceito de Deus. Por isso lhe é dado apreender a Vontade de Deus, a qual tem que procurar sinceramente e com humildade. Reconhecendo a Vontade de Deus então nela reconhecerá a Deus! Esse tão só é o caminho para Ele!
Até agora, entretanto, o ser humano ainda não se empenhou direito em apreender a Vontade de Deus, em encontrá-la; ao contrário, tem se anteposto sempre a vontade humana, exclusivamente! A qual se originou dele próprio como corporificação dos desejos humanos e do instinto de conservação, que está em desacordo com as automáticas vibrações ascendentes de todas as leis primordiais da Criação!
Encontrai, portanto, o caminho para a verdadeira Vontade de Deus na Criação, então nele reconhecereis Deus!
Abdruschin
Excerto da Dissertação, Uma nova lei, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.
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