Mesmo que já tenha declarado que uma pessoa nunca poderá realmente ver a Deus, porque a sua espécie não possui absolutamente a capacidade para isso, não obstante tenha em si o dom para reconhecer Deus em Suas obras.
Isso não se dá da noite para o dia nem lhe é dado durante o sono, pelo contrário, custa sério esforço, grande e forte vontade sendo imprescindível também a pureza.
A vós, criaturas humanas, é dado o insatisfeito anseio pelo reconhecimento de Deus, ele está incutido em vós com o propósito de que não possais encontrar sossego algum nas vossas peregrinações através do após-Criação que vos são permitidas realizar com a finalidade do vosso desenvolvimento, para que, tornando-vos consciente, aprendais, cheios de gratidão a usufruir as bênçãos que os universos encerram e vos oferecem.
Se em vós encontrásseis sossego durante estas peregrinações, este sossego vos traria então como consequência a paralisação que encerra, para vosso espírito, enfraquecimento, decadência e, por fim, também, inevitável desintegração uma vez que por esse modo não se obedece à lei primordial do movimento necessário. Pois, a engrenagem das leis automáticas na Criação é para o espírito humano como uma fita rolante que o transporta sem interrupção, na qual, no entanto, cada um que não souber se manter em equilíbrio, poderá escorregar, tropeçar e cair.
Manter o equilíbrio é neste caso o mesmo que não perturbar a harmonia da Criação, observando as leis primordiais da Criação. Aquele que tropeça e cai, aquele que não sabe manter-se aí de pé, será arrastado, pois a engrenagem por sua causa não parará um segundo sequer. O arrastamento, porém, fere. E, para poder tornar a levantar-se, esforços aumentados são então necessários e, ainda mais, a recuperação do respetivo equilíbrio. Com o constante movimento do ambiente isto não é tão fácil. Se não conseguir, o ser humano será lançado para fora da rota, para o meio das rodas da engrenagem e aí triturado.
Por isso sede gratos, vós, criaturas humanas, que o anseio pelo reconhecimento de Deus não vos permita sossego em vossas peregrinações. Dessa forma escapais, sem o saber, de múltiplos perigos na engrenagem universal. Não tendes, porém, compreendido que esse anseio existente dentro de vós, também a ele o torceste, tendo feito dele apenas uma perturbadora inquietação.
Procurais então atordoar ou contentar a inquietação novamente com algo de modo errado. E como para tanto só empregais o intelecto, naturalmente lançais mão de desejos terrenos, esperais receber satisfação a essa ansiedade através do acúmulo de riquezas terrenas na aceleração do trabalho ou em divertimentos distrativos, na comodidade que debilita e, quando muito, talvez uma espécie pura de amor terreno por uma mulher.
Contudo nada disso vos traz proveito, nem vos auxilia. Poderá, talvez, amortecer por curto tempo o anseio que convertestes em inquietação, não consegue, porém, apagá-lo para sempre mas tão só afastá-lo aqui e acolá. Esse anseio não reconhecido por vós impele a alma humana sempre de novo, instigando a criatura humana terrestre através de muitas vidas terrenas se, por fim, não procurar compreender o seu sentido, sem que aí amadureça para, como é desejado, poder ascender às regiões leves, mais luminosas e mais belas deste após-Criação.
O erro é do próprio ser humano, que dá pouquíssima ou nenhuma atenção a todos os auxílios que lhe são doados na ilusão de sua auto-suficiência, por causa dos enlaçamentos do intelecto que ele amarrou em torno de suas asas espirituais.
(…)
Eu, porém, vos digo: Quem não estiver atuando dentro das leis de Deus, não receberá mais auxílio algum proveniente da Luz! O conhecimento das leis de Deus na Criação é condição! E, sem o auxílio proveniente da Luz hoje é de todo impossível a construção verdadeira!
A crença de uma pessoa em sua própria missão e a crença daqueles que a seguem de nada adiantarão a uma criatura humana terrena. Tudo ruirá junto com ela exatamente naquele lugar onde os efeitos das leis de Deus nela tocarem.
E cada criatura humana está colocada agora diante desses efeitos segundo a Sagrada lei de Deus! É nisso que reside o julgamento temido por todos os fiéis!
Os fiéis! Vós todos que vos tendes na conta de fiéis a Deus, examinai a vós, se a vossa fé, a que tendes em vós, é de facto certa!
Não me refiro aqui à maneira como acreditais se, como católico ou protestante, como budista ou maometano ou, de qualquer forma, Eu me refiro a vossa maneira de crer, até que ponto seja ela viva!
Pois Deus é Deus! E como vós vos aproximais d′Ele em vosso íntimo, isto tão só é determinante para a força e a legitimidade de vossa fé!
Assim, pois, examinai-vos cuidadosamente. Eu quero mostrar-vos como podeis encontrar o caminho a fim de obter uma indicação a esse respeito.
(…)
Criaturas humanas, despertai! Recuperai o perdido. Uma vez mais vos aponto o vosso caminho! Dai vida e movimento, finalmente à vontade hirta que tendes e, então, encontrareis o grande reconhecimento de Deus que já devíeis possuir desde muito se não tivésseis ficado para trás no progresso do desenvolvimento das grandes criações!
Notai, nada deveis excluir do que toda a humanidade aqui na Terra já teve que vivenciar; porque ela vivenciou sempre aquilo que foi necessário para ela. E se nisso andou errada, segundo a própria vontade, sobreveio a destruição. A Criação avança ininterruptamente para a frente alijando de si todo fruto apodrecido.
Abdruschin
Excerto da dissertação, O Reconhecimento de Deus, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.
Esta dissertação (Pág. 145) pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.
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