Observamos até agora a atuação dos pequenos enteais quanto ao que provêm dos seres humanos terrestres, como o seu sentir intuitivo, pensar e agir.
Agora queremos ficar, igualmente, perto dos seres humanos terrenos, mas observando aí a atividade daqueles enteais que exercem sua esfera de atividade em direção ao encontro das criaturas humanas terrestres. Portanto, não aqueles que constroem os caminhos da alma, conduzindo para fora da pesada matéria grosseira terrestre, mas dirigindo-se em direção oposta rumo a essa matéria grosseira terrena.
Tudo mostra movimento, nada é sem forma. Assim, parece como uma gigantesca oficina em redor do ser humano, em parte afluindo para ele e em parte se desviando dele, entrelaçando-se aí, amarrando e desligando, construindo e demolindo, em mudança permanente, em crescimento contínuo, florescimento, maturação e decomposição, a fim de dar, nisso, ensejo às novas sementes para o desenvolvimento em atendimento ao nascer e ao morrer de todas as formas na matéria, condicionados pelo ciclo de acordo com a lei da Criação. Condicionado pela lei do movimento constante, sob a pressão da irradiação de Deus, do Único Vivo.
Brame e ondula, derrete e esfria, martela e bate, sem interrupção.
Punhos fortes empurram e puxam, mãos carinhosas conduzem e protegem, unem e separam os espíritos que peregrinam nessa movimentação intensa.
Todavia, embotado, cego e surdo ante tudo isso, o ser humano desta Terra cambaleia em suas vestes de matéria grosseira. Ávido de prazeres e, em seu saber, o seu intelecto só mostra aquela única finalidade: alegrias terrenas, poder terrestre como recompensa do seu trabalho e coroa da existência.
O intelecto procura embalar aos preguiçosos e aos indolentes com imagens de tranquilo bem estar, as quais, como entorpecente paralisam, de modo hostil ao espírito, a vontade para a atividade na Criação.
O ser humano desta Terra não quer obedecer, porque lhe ficou a livre escolha! E por essa razão acorrenta o seu espírito vivo à forma transitória cuja origem nem sequer conhece.
Continua um estranho desta Criação ao invés de utilizar, para si, de modo construtivo, as suas dádivas. Só o conhecimento certo dá possibilidade a um aproveitamento consciente! Por isso deve o ser humano sair agora de sua ignorância. Só sabendo pode, no futuro, agir sob a irradiação do astro novo, que separa o útil do inútil na Criação inteira.
O útil não julgado segundo o pensar humano, pelo contrário, tão só segundo a Sagrada lei de Deus! De acordo com isto, para tudo que é inútil, pertence em primeira linha o ser humano que não é capaz de receber humildemente as bênçãos e as graças de Deus, o que ele só poderá conseguir no conhecimento de toda a atuação na Criação.
Tão só da Palavra consegue ele receber todo o saber de que precisa para isso.
Nela encontrará se procurar com seriedade. E encontrará exatamente aquilo de que precisa para si!
Mas, agora mais do que nunca é lei a Palavra de Cristo: “Procurai e achareis!”
Quem não procurar com verdadeira diligência de seu espírito, não deverá receber nem receberá nada. E, por essa razão, quem dorme, ou o indolente do espírito, também não encontrará nada na Palavra, que é viva. Ela não lhe dará nada.
Cada alma tem de, primeiro, abrir-se por si para isso e bater na fonte que se encontra na Palavra. Nisso se encontra uma lei férrea e selecionadora, que agora se cumpre com todo o rigor.
(…)
O corpo astral tem conexão com o corpo terreno, porém não depende dele, como se tem suposto até agora. A falta de conhecimento do verdadeiro processo evolutivo na Criação teve como consequência os numerosos erros especialmente porque o ser humano apresentava sempre pouco saber, que adquiria, sempre como sendo básico, por encará-lo do seu ponto de vista.
Enquanto ele próprio se julgar ser o ponto mais importante na Criação onde, na realidade, não representa absolutamente nenhum papel de especial importância, pelo contrário é tão só uma criatura como inúmeras outras, caminhará sempre erradamente, inclusive em suas pesquisas.
É certo que, após desprender-se a alma do corpo terrestre, o corpo astral se decompõe com o corpo terrestre. Mas isso não deve servir de prova de que este deva depender, por esta razão, daquele. Não chega sequer a dar uma base justificada para tal suposição.
Na realidade o processo é diferente: Ao desprender-se a alma, essa, como parte móvel, puxa consigo o corpo astral do corpo terreno. Falando figuradamente: ao sair e ao se afastar a alma puxa consigo o corpo astral para fora do corpo terrestre. Assim parece. Na realidade, ela apenas o afasta porque nunca houve uma fusão mas apenas um embutimento, como num telescópio estirável.
Não puxa consigo para muito longe o corpo astral, visto que este não se acha ancorado só nela mas, também, ao corpo terrestre e, além disso, porque a alma, da qual parte o movimento propriamente dito, quer se libertar também do corpo astral e, por conseguinte, dele procura se afastar.
Assim, o corpo astral fica sempre perto do corpo terreno depois do desenlace terreno da alma.
Quanto mais se distancia então a alma, tanto mais fraco se torna o corpo astral, e, o despreendimento, cada vez mais progressivo da alma acarreta, por fim, a destruição e decomposição do corpo astral que, por sua vez, acarreta imediatamente, a decomposição do corpo terreno, assim como influenciara a formação dele. Eis o processo normal, de acordo com a lei da Criação.
Intervenções especiais aí acarretam, naturalmente, circunstâncias e alterações especiais, sem contudo daí poder excluir o que é da lei.
(…)
Abdruschin
Excerto da dissertação, Na Oficina da Matéria Grosseira dos Enteais, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume III.
Esta dissertação (Pág. 180) pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou descarregar o livro.
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